Eu nem bem terminei de baixar um programa de computador, e no dia seguinte, eu recebo uma sugestão de atualização para nova versão. Aliás, eu acho essa questão de sugestão interessantíssima. Quem sugere? Quem pediu sugestão? É a entidade internet alguém que sabe exatamente o que não estamos precisando para nos dizer que nossa vida pode se tornar mais extraordinária se começarmos a usar, comprar, participar de coisa e tal?
Tenho andado um pouco cansada das coisas novas. Não por resistência a aceitar o novo(apesar da alma empoeirada, rs!). Eu nem tenho essa opção: na minha profissão todo ano ano, ou pelo menos de 6 em 6 meses, preciso comprar um código novo, porque as leis mudaram. Bom, esse post pode parecer mimizante, mas vale o questionamento: por que coisas novas toda hora? Essa situação de novidade me soa mais a época da escola, com aquelas modinhas retardadas, as quais nunca me enquadrei.
Sério, eu não dei "feliz aniversário" para o RJ ontem, eu não curto memes, não gosto de UFC, não me importo com a Luíza que voltou do canadá, nem sinto afeto pelo Wando(no dia que ele faleceu, todos pareciam ser fãs dele há séculos). Ah, eu também não curto Exaltasamba(que do nada as pessoas passaram a idolatrar, e de repente ficar tristes com o término dele, que nunca termina), e sério, a onda cult do pessoal falando do Oscar no Twitter, como se fossem críticos do cinema alternativo, aclamando o Woody Allen, já deu, né? Ah, tem os crentes descolados que agora querem denunciar tudo de errado que há em sua própria religião para mostrar como são conscientes e pensantes. E como eu poderia esquecer das milhares de mensagens sobre preconceito e homofobia? As próprias pessoas tem transformado coisas importantes em sentimentos banais, e cristalizado indiferença.
Estou cansada dessa coisa rasa e superficial dos dias de hoje. A novidade não permite que as pessoas pensem no que elas estão se tornando, no que elas estão falando, no que elas estão fazendo. Eu não quero saber o que pessoa tal ou qual está fazendo, se ela vai tomar banho, ou se ela vai jantar. Sinceramente, o mundo não precisa saber. O mundo não está interessado. Aliás, as pessoas só falam o que vão fazer para mostrar um lado interessante de suas vidas desinteressantes, e pouco conversam entre si. Se você quer conversar sobre alguma coisa, de verdade, é provável que você sinta como as pessoas tem se tornado escorregadias com relação ao que é feio e triste no mundo.
Enfim, eu vou poupar o tempo de vocês com essas ladainhas, mas queria desabafar sobre a minha insatisfação com a tirania das novidades, que nunca são novas. Eu não sei porque eu ainda escrevo, sabe? Ainda não fechei uma idéia sobre essa coisa de ter blog, mas assim que eu tiver certeza, permaneço ou desligo essa coisa. Ultimamente aquela coisa de não dar a resposta certa na sala de aula, e deixar os outros falarem tem reverberado por aqui. Sim, o blog foi uma tentativa de levantar o braço na aula, e falar o que eu imaginava, mas não estou certa se é ou não a coisa mais sensata.
Enquanto não deleto....bjos.