terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

o balde verde...


Só os muito íntimos sabem o quanto eu odeio, atestadamente, serviços domésticos. [Tudo bem, isso não é um segredo, eu posso publicar...]. Mas acontece que eles precisam ser feitos, certo!? Feito!

Ontem uma coisa me incomodou enquanto eu segurava um balde verde cheio...tudo bem, ele estava cheio até a metade, na verdade. [Ah, existem muitas maneiras de se ver um balde com água dentro, mas esse seria tema para outra conversa]...

A questão aqui foi o incômodo... veja bem, eu tinha que andar com o balde até a outra ponta da minha casa, e para que a água não derrubasse do balde, eu precisava andar, lentamente, com ele!



Bem, se você já se arriscou a segurar um balde meio cheio e muito pesado, entende a frustração! Por que essas coisas acontecem? Se eu andava um pouco mais rápido a água caia do balde e molhava uma parte que eu já tinha limpado!

Eu tinha dois motivos para andar muito devagar com um balde muito pesado...e tinha uma centena de motivos para querer andar muito rápido com ele- o balde estava pesado, eu estava cansada, eu queria terminar muito rápido aquela tarefa, eu preferia estar dormindo naquela hora!

(aiai...isso te lembra alguma coisa!?)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

clarinha, clara.

"Então, você sabia que ele era um homem que falava no deserto pra todo mundo ouvir!?"- eu disse.
"sim,sim...e ele vinha gritando, né tia!?"- ela perguntou desinteressadamente.
"E ele era muito bom e um dia fez uma coisa grande até!"
"tia, porque nasce tanta grama no quintal?ali dá barata e rato? Eu tenho medo de barata e rato!"
"muito medo? muito?"- perguntei, esquecendo da lição, enquanto ela fazia que sim com a cabeça e ajeitava o cabelinho por conta do vento que desarrumava.
" você gosta de massinhas?"- tentei.
"gosto muito tia! muito mesmo. Eu até sei fazer o barco da pescaria!"
"qual?"- comecei a ficar interessada
"ih, tia, vc não sabe de nada mesmo! aquele que aconteceu o milagre!"- ela estava nervosa!
"então, vou pegar a massinha...tá bom!?"
"tá bom, mas vê se me dá uma massinha nova"
(depois de um tempo procurando a massinha)
"aqui está! Você me mostra o barco!? Vou fazer um também. Junto com você"
Ela começou a modelar junto comigo.
"pronto! veja como fico o meu!"- eu disse, orgulhosa da minha obra de arte!
"ah, tia, o meu está muito melhor do que o seu!"- ela falou mostrando um emaranhado de massinhas disformes.
"sim, é claro que está! Gostei muito do seu barco!"- falei
"tia, tem até peixe dentro dele tá vendo!? Por isso está pesado"- ela sorria.
"Hey, você sabia que se você plantar uma sementinha de massinha, nasce depois uma árvore cheia de massinhas penduradas!? mas primeiro você precisa fazer a sementinha! Aprende só como é que se faz!"- e eu ensinava ela a fazer uma semente de massinha.
"é só isso mesmo!?"- interessada
"só!"- eu ria
"tá bom, Tia! Domingo que vem a gente planta! É que eu to com preguiça!" -ela falou, largando as massinhas e o banquinho. Arrumou as coisas numa mochila bem pequena. Me deu um abraço, um "tchau", e subiu as escadas, de onde gritou: " Tia, já acabou. Você não está ouvindo o "Amém"!?

conselho...


Descansa o som do azul e canta uma bela canção com as estrelas( e espera porque vai clarear). Sente a leve expressão, e sonha. Deixa, então, o chão escorrer debaixo dos pés - águas-, e o céu escorregar pela cabeça...e entre pela porta viva que existe perto.

Fernanda Telha

quieto.

Tem gente que se sente triste-sozinho
Mas a solidão é lugar seguro d'a gente
Lugar que se pode ser, sendo
Sem se importar com os que estão vendo

Você pode pensar feio e entender
Correr de se perder
Livre- e não se arrepender

Mas só ser só
Não é bom por toda a vida
Porque assim da dó
De não ter quem o acompanhe na lida
[ou contar piada
sem ter quem dê risada]

(Telha)

Aprecie!


Olhei a vida e interagi com as coisas, neste dia. Elas se tornaram engraçadas, de repente, pra mim. Quase intangíveis [mas consegui].Tinha um céu azul que depois ficou cinza. Tinha uma terrinha seca que depois ficou molhada.Tinha um sol bonito que sumiu- acho que nuvens são traiçoeiras [e sempre suspeitei que elas fossem] e levaram o sol pra distante- [elas nunca ficam com ele pra sempre...muito estranho esse hábito de nuvem]. E, por fim, quando me dei conta de tudo, brinquei com a tempestade e depois me envolvi em lençóis quentinhos. Percebi que as coisas mudam e são mesmo apreciáveis.

Aconteceu que...

...com maestria alguém resolveu fazer diferente. E fez. Se importou num mar de cada vez mais bravas águas. De barcos sempre distantes do cais. De porto nunca seguro .De dias dificeis de se descansar. Ele se mostrou como era, sem se importar que não o vissem. Ele amou, sem cobrar que fosse amado. Não rejeitou. Não abandonou. Ele foi sendo.

Engraçado como perto dele o pardal pousava como que estivesse em casa. As conversas com os que o ouviam eram sempre compostas, e sorrisos surgiam do nada no rosto daqueles que já não sabiam como era a sensação. Ele era uma melodia bonita- impossível de escrever em partitura, pois quando se tentava fazer, as notas escapavam pelos dedos. Ele também era água fresca- fonte prestes a jorrar- que não precisava se decantar. Era puro.

Uma esperança sempre acompanhava seus gestos. Ele tinha conselhos...acalmava.

Não estávamos prontos pra Ele. Muitos não entenderam quem ele era...e até hj mtos não entedem. Só não podiam contar que ele era eterno....e que está por aí. Por aqui...em todos os lugares. É só chamar e convidá-lo pra entrar. Ele se importa.

by Telha.

Manoel de Barros- a disposição da Poesia

[Manoel de Barros] - bonitinho.

Nasci para administrar o à-toa
o em vão
o inútil.

Pertenço de fazer imagens.
Opero por semelhanças.
Retiro semelhanças de pessoas com árvores
de pessoas com rãs
de pessoas com pedras
etc etc.

Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal.
(Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã
no talo.)
E quando esteja apropriado para pedra, terei também
sabedoria mineral.

com sentido...

Seus olhos também são marca-tempo de momentos ? Aqueles que vem e vão....todo segundo,minuto...ora...porque acho que os meus são, e se você nunca parou pra perceber, perceba.

Percebi, e pensei em tempo, sono, livros, vontades, Direito,sonhos, surpresas, amigos,sopa de letrinhas,cheiro de brinquedos de madeira,imaginação,piadas,momentos. Não me agradei. Deu vontade de desligar o computador e dormir pra esquecer, e acordar imaginando que o mundo é leve.

O tempo anda correndo depressa demais. Essas coisas parecem estar fazendo parte de uma estante empoeirada- daquelas antigas, onde guardamos o que não usamos em suas gavetas- e sou pequena demais pra alcançar aquela parte ali, na prateleira mais alta dela,onde estão preciosidades. Pelo menos eu..me sinto bem longe do que imagino.

É certo: muita coisa dá saudades....e quando eu estiver menos conformada e sem preguiça, talvez eu pegue uma escada e retire lá de cima cada uma delas. uma por uma....
(sem final...a criatividade também ficou na prateleira)

Montes sinais- Wolô


Quando estou só no fundo do meu vale
E o meu olhar se arrasta pelo chão
Meu suspirar de quase nada vale
E o meu querer e força nada são

Mas ao erguer os olhos para os montes
Quem os criou e os mantém de pé
Me eleva além dos horizontes
A uma vida erguida sobre a fé

Quando estou só no fundo do meu poço
Frio vazio, culpas, decepção;
Canções em dó é tudo o que eu ouço
E seu refrão é simplesmente Não!

Mas ao erguer os olhos para o monte
Onde o Senhor Jesus se deu por mim
Seu perdão aponta para a fonte
Da vida nova erguida sobre o Sim!

Quando estou só no fundo dos meus medos
De perdas, mortes, dores, solidão,
Dos dias maus sumindo entre os dedos,
O que plantei parece tudo em vão

Mas ao erguer o olhar pras Oliveiras
De onde ascendeu Jesus, nosso Senhor,
Sinto paz, vitória derradeira
Da vida eterna erguida sobre o Amor

Fim de Tarde no portão - Stênio





Fim de tarde no portão
A cabeça ao relento
Teimosia de paixão
Faz das cinzas renascer alento
Na estrada o seu olhar
Procurando um vulto conhecido
Espero um dia abraçar
Quem diziam estar perdido

O seu amor é tão forte
Mais que o inferno e a morte
São torrentes que arrebentam o chão
Mais fácil é secar os mares
Apagar a estrela Antares
Que arrancar o amor do seu coração
Fim de tarde se debruça no portão

Mas um dia aconteceu
E o moço retornou mendigo
O Pai depressa correu
E abraçou o filho tão querido
tragam roupas e o anel
calcem logo os seus pés,milagre
Vinho do melhor tonel
Tanta alegria em mim não cabe

O seu amor é tão forte
Mais que o inferno e a morte
São torrentes que arrebentam o chão
Mais fácil é secar os mares
Apagar a estrela Antares
Que arrancar o amor do seu coração
Fim de tarde está deserto o portão.

...


Hey, por hoje,fica adiado o meu falatório sobre o Sertão...Para vocês, doses homeopáticas de sentimentos ! =)


O velho e a flor

"Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou

O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor"

[Vinícius de Moraes]
é....muito tempo sem escrever nada...
Mas,agora,é quase que uma questão de necessidade. Esse tempo de pensar e pensar tem feito minha cabeça doer. A melhor forma é compartilhar....o remédio que me faz dispensar aspirina! Estou gorda de informações e sentimentos.O sertão -meu motivo de voltar aqui.
Fui pra Bonito,uma cidade no coração da Bahia. Chapada Diamantina. Lá aprendi mais sobre meu Melhor Amigo...sobre o amor dele por uma cidade que eu nunca tinha ouvido falar,sobre amizade de verdade,e sobre poesia. :)
Fiz amigos de São Paulo, Rio Grande do norte, Bahia, e descobri pessoas do Rio que são verdadeiras preciosidades pra mim,agora.
Ainda preciso elaborar cuidadosamente o que escrever sobre essa viagem porque não quero perder detalhes lindos de pessoas lindas como as que conheci em Bonito.Enquanto isso vou deixar uma música de um novo amigo por aqui.......me lembra as conversas com as pessoas queridas que ficaram lá...

Dedo de Prosa
- Silvestre Kuhlmann -

Venha,não se acanhe,
se achegue pra dentro,
se ajeite.
Cumadre passou um cafézinho,
aceite.

Se assente aqui mesmo
ou deite na rede,
a casa é modesta,
de gente honesta,
e sua visita nos é prazeirosa.
Sinta-se em casa
enquanto trocamos
um dedo de prosa.

Não se espante,cumpadre
Se lhe trato assim.
É que o Deus que eu conheço
Faz desse jeitim.
Às vezes me chego à soleira,
Meio ressabiado,
Querendo conversa,
Um ombro amigo,
Um agrado.

E Ele me chama pra dentro,
Nem olha minha vida horrorosa,
Com todo carinho do mundo
Vai logo dizendo:

Sinta-se em casa
Enquanto trocamos
Um dedo de prosa.

toc, toc...


Uma vez ouvi dizer que um convite poderia mudar minha vida. Me ensinaram que tinha alguém batendo incessantemente numa porta, e que se eu abrisse nada seria como antes.

Acertaram em cheio. Percebi que quem batia já o fazia a 15 anos. Se importava! E foi com isso que eu me fascinei...Quem estava atrás daquela porta só podia me amar. É claro.

Então..antes de abrir me informei mais sobre quem estava lá. Descobri amor, graça e coisas extraordinárias...que fariam a vida de todos nós completa! Tudo o precisávamos para o nosso vazio habitual! Era um absurdo tanto amor....tanta vida. Não me conformei. Duvidei. E o que era bom não durava pouco e esperava minha decisão sem invadir, sem gritar.

E, hoje, depois de ter aberto a porta, posso dizer que encontrei um bom lugar para descansar. E sou feliz por ter correspondido. Vivo e não apenas existo.
Bonito, não? Pois é...Tbm tem Alguém batendo aí..na porta. ABRA e viva o que é Eterno!