terça-feira, 15 de junho de 2010

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Tinha uma menina de uns 78 anos. Ela morava num lugar onde as pessoas diziam "oi, tudo bem?", e íam, com seus sorrisos amassados. Ela respondia "oi, tudo sim e vc?", mas não dava tempo. Um dia ela morreu sozinha, e ninguém percebeu.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Terror de Te amar


Terror de te amar
Sophia de Mello Breyner Andresen

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

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sábado, 6 de março de 2010

despertando alvoradas.

Hoje me fiz menina despertadora de Alvoradas. Resolvi que ía acordar tudo/todos(pedra, passarinho, meu pai, rs!), para levantar ao Criador uma bela canção de Bom-dia! Um obrigada, às 5h da manhã, público, e gracioso( de graça, de não pagar) para quem quisesse/quiser me acompanhar!

" Acorde, minha alma! Acordem harpa e lira!
Vou despertar a alvorada!
Eu te louvarei, ó Senhor,
entre as nações;
cantarei Teus louvores entre os povos.
Pois o teu amor é tão grande
que alcança os céus;
a tua fidelidade vai até as nuvens.

Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus!
Sobre toda a terra esteja a tua glória!"

Sl 57:8-11
(meu coração está firme! E eu vou cantar várias coisas bonitas.)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

telha ferreira

desde quando me bati com a literatura do Manoel de Barros, passei a me simpatizar mais com meus sobrenomes: sou uma telha ferreira,- isso me coisifica.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aos 3 anos.

mundão- mundinho
livrão-livrinho
coração-coracinho

"- deixa de graça!" ; dizia minha mamãe.... E eu ria, [com uma boa gargalhada] sabendo do que ela me falava.




obrigada, dona Débora.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

II- Chanson


A Aurora, que conhecia Chanson até a última linha de pauta, percebeu haver algo estranho pairando por dentro dele. Seu som que era de sempre o mais audível, parecia naquela manhã, um mio de gato solto-acanhado.
Sempre que Chanson dava sua música, e de bom grado recebiam, nascia mais notas na sua cabeça, e o menino esbanjava, de então, uma vasta cabeleira musical. Mas, como Aurora percebeu,- e Chanson fazia-se notar- o menino vinha ficando calvo e amuado, com música lenta e simples[ nos bons dias, eram bem compostas, aliás.]
Então, Aurora ficou preocupada demais. Ela precisava de toda pompa para chegar todos os dias. Chanson estava com semblante de ai-meu-deus, e mal apreciava a amiga[que se apresentava de raiar], mas ele não conseguia prestar atenção. Nada adiantava.
No dia seguinte Aurora deu lugar a Chuva-triste, e Chanson se sentiu cheio de culpa. As trovoadas riam curto e fino dos cabelos ralos, que diminuíam rapidamente, em Chanson.
O menino continuava refletindo se dava nota ou não para alguém que passasse por perto, mas desistiu muitas vezes- porque nos dias chuvosos as pessoas parecem mais pra dentro do que pra fora- , e Chanson fazia cara de não-saber quando lembrava que precisava trazer Aurora de volta.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

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Minha alma de artista

tem espanto; tem encanto
é ouro que se assista
de dentro para fora, um canto

Minha alma de artista
tem assombro; tem ternura
é cor que se desmancha em vista
de sentir na boca, sua doçura

Minha alma de artista
não se investe...
é loucura que se insista
de ficar em mim se preste

Minha alma de artista
bem se cansa...
é uma andança sempre mista
de correr o pensar, descansa



Fernanda Telha