Entrei no elevador, e moça começou a se queixar naquele dia. Os meninos andam confeccionando bandeira de revolução, de paz no pátio ali da frente; todos colocaram camisa branca para logo à noite irem para rua. "Agora a rua é do povo", andam dizendo!
Aquela moça, que todos os dias limpava os banheiros sujos daquele lugar, disse de forma legítima: "se a rua é da gente, porque não olham gentis pra gente quando andamos pela zona sul? por que não dão bom dia quando entram no banheiro? Por que não agradecem quando saem do elevador?".
Sobre isso eu não pude dizer nada a respeito das manifestações, mas que foi uma reflexão que eu não havia me deparado com meus professores cientistas políticos, foi.
A impressão que eu tive daquele dia é que a rua foi do povo naquele dia, sim. Por isso, a razão da euforia de tantas gentes. Que aquela moça exagerou a minha visão da realidade...ah, ela aumentou os rebuliços de dentro desse coração!
Vivo na zona norte. A rua é minha também. Mas que eu não me sinto nem parte nem dona, quando chego num certo pedaço do Rio de Janeiro, isso é latente. Dia desses Lucas e eu fomos num lugar, e um colega nos perguntou, porque saímos de tão longe para estarmos ali. Dissemos, "não achamos tão distante, na verdade..e sentimos vontade de estar/permanecer aqui". Ele: "é que o pessoal daqui não está habituado a fazer o sentido inverso. Por isso acho distante". E se havia alguma dúvida de que a rua não é de todo mundo....foi naquele dia e no dia da moça que limpa o banheiro. Será mesmo que as pessoas querem que a rua seja de todo mundo?
Vejo com olhos otimistas essas manifestações, mas que está para surgir novas formas de empoderamento; novos sentimentos por parte daqueles que estão ali por razões levianas (mas não cabe a mim dizer o que seriam as causas levianas), novos engodos midiáticos pra cima do pobre (que sempre saem- violentos- na pior)...isso a gente pode esperar, porque é tão certo quando o céu que vai estar sobre nossas cabeças amanhã.
De toda forma...ouvir essa moça só me fez pensar em uma coisa: a mudança precisa começar partindo da gente. Nossa atitude em relação ao outro precisa mudar. A gente precisa aprender a olhar o mundo.
Não, colegas, eu não acredito que vocês terem passado um semana de tardes pensando em mudar o mundo, vá realmente mudá-lo. Eu acredito que mudar o mundo é uma coisa que a gente faz todos os dias. Parando de falar mal dos outros, parando de excluir as pessoas, parando de se preocupar se sua nota no artigo de final de período vai ser maior ou menor do que as notas dos outros...etc
Eu não acredito que a mudança possa acontecer, sem uma mudança do pequeno, no "ínfimo". É basicamente isso. Mas tem muita coisa pra ser dita e pensada. Não se esgota o assunto na simplicidade desse tom.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Para Luiza. Sobre sua primeira gargalhada.
Hoje minha amiga Leandra [amiga de infância, de play, de pique, de cabelos bagunçados, de chiquititas, de franjinha e short-saia, de canela machucada, de andar de patins, de filmes de terror, de adolescência, de aprender a usar maquiagem (ela...eu não!), de segredos, de confidência, de brigar comigo pra eu me arrumar melhor, de brigar comigo porque desde muito tempo eu sou chata, de eu brigar com ela porque ela é uma nega muito da atrevida (haha!), de insistir que all star não é o único calçado da terra, de sonhos compartilhados, de pesadelos compartilhados, de calça rosa e amarela dela e meus macacões, de fazer música sobre pinguins, de viagens de férias, de pagar gorilas, de dormir muito tarde fazendo fofoca, de dar risadas até mandarem a gente ir dormir, de fase adolescente, de fase adulta, de beijoca na barriguinha de grávida(dela), de ajuda com coisas de casamento(meu), de orações em dia de prova de vestibular, pra arranjar namorado, pra ter um marido legal, por trabalho, parto, familia..tudooooo!],
brindou meu dia com uma notícia incrível! Luiza, nossa pequena princesinha, que segunda completa 3 meses, deu sua primeira gargalhada.
Não podia deixar de registrar essa alegria em algum espaço. É engraçado que essas coisas passem de nós. Já fomos bebês um dia. Todos nós! Já demos nossa primeira gargalhada alguma vez. A da Luiza vai ficar guardada com a gente no coração pra um dia ela se lembrar também. Um dia a Luiza vai ser grande e vai saber que a gargalhada dela foi a coisa mais extraordinária do dia da titia, porque essas coisas são sim milagres diários.
Um brinde às primeiras gargalhadas! Um brinde à Luiza e seus futuros dentes!
brindou meu dia com uma notícia incrível! Luiza, nossa pequena princesinha, que segunda completa 3 meses, deu sua primeira gargalhada.
Não podia deixar de registrar essa alegria em algum espaço. É engraçado que essas coisas passem de nós. Já fomos bebês um dia. Todos nós! Já demos nossa primeira gargalhada alguma vez. A da Luiza vai ficar guardada com a gente no coração pra um dia ela se lembrar também. Um dia a Luiza vai ser grande e vai saber que a gargalhada dela foi a coisa mais extraordinária do dia da titia, porque essas coisas são sim milagres diários.
Um brinde às primeiras gargalhadas! Um brinde à Luiza e seus futuros dentes!
segunda-feira, 6 de maio de 2013
já faz tempo..
Já faz um tempo, é verdade, que eu não visito meu próprio blog. Eu tenho escrito, sim, mas para mim mesma em caderninhos e folhas de papel avulso. Uns eu jogo fora. Outros eu tento consertar como se dando um jeito numa letra, eu estivesse consertando minhas próprias ideias.
O que me traz aqui, contudo, é o desejo de compartilhar.Vez ou outra, sinto essa vontade. As folhas do caderno emprestam aos meus raciocínios a vastidão do céu. Uma folha em branco, bem ouvi dizer certa vez de um amigo, que são um mar de possibilidades para eu me perder e, por essa mesma razão, me encontrar. Centenas de milhares de palavras combinadas com ou sem sentido para mim- ou para quem ler- podem ser desperdiçados, pois se há um privilégio em usar as palavras é sua inesgotabilidade de encaixes; não daria tempo durante a vida de conhecer o que ela é de verdade. Mas de tanto se esforçar, de brincar, de brigar com as palavras, a gente toca um pouco do seu infinito, e se encanta.
Por essa razão é que retorno a este espaço tão pequeno, tão meu. Tão permeado de coisas gerais e patéticas. Tão recheado de particularidades do meu próprio mundo- pois tenho uma facilidade absurda de achar profissão para lagartixas, ciúme para girassóis e margaridas e conversa fiada para formigas, já provei. Fui ensinada na escola do seu Manoel desde quando me bati com as Letras.
Aliás, foi lá que tudo começou a fazer sentido. Fez sentido o direito e suas lacunas; fez sentido o sertão do meu coração; fez sentido o plural de que não é sertão, mas sim Sertões, e que "viver é muito perigoso". Fez sentido saber um lugar de valorizar abandonos, e neles ver brotar
jardins incríveis; e entender que flor leva um tempo pra desabrochar; que borboleta faz força para sair do casulo, e que tudo que é natural tem selvageria, tem dor, tem vida e mistério, a gente é que tenta dizer que não com a nossa forma sintética de re-construir o mundo.
Por essas coisas, voltei aqui.
O que me traz aqui, contudo, é o desejo de compartilhar.Vez ou outra, sinto essa vontade. As folhas do caderno emprestam aos meus raciocínios a vastidão do céu. Uma folha em branco, bem ouvi dizer certa vez de um amigo, que são um mar de possibilidades para eu me perder e, por essa mesma razão, me encontrar. Centenas de milhares de palavras combinadas com ou sem sentido para mim- ou para quem ler- podem ser desperdiçados, pois se há um privilégio em usar as palavras é sua inesgotabilidade de encaixes; não daria tempo durante a vida de conhecer o que ela é de verdade. Mas de tanto se esforçar, de brincar, de brigar com as palavras, a gente toca um pouco do seu infinito, e se encanta.
Por essa razão é que retorno a este espaço tão pequeno, tão meu. Tão permeado de coisas gerais e patéticas. Tão recheado de particularidades do meu próprio mundo- pois tenho uma facilidade absurda de achar profissão para lagartixas, ciúme para girassóis e margaridas e conversa fiada para formigas, já provei. Fui ensinada na escola do seu Manoel desde quando me bati com as Letras.Aliás, foi lá que tudo começou a fazer sentido. Fez sentido o direito e suas lacunas; fez sentido o sertão do meu coração; fez sentido o plural de que não é sertão, mas sim Sertões, e que "viver é muito perigoso". Fez sentido saber um lugar de valorizar abandonos, e neles ver brotar
jardins incríveis; e entender que flor leva um tempo pra desabrochar; que borboleta faz força para sair do casulo, e que tudo que é natural tem selvageria, tem dor, tem vida e mistério, a gente é que tenta dizer que não com a nossa forma sintética de re-construir o mundo.
Por essas coisas, voltei aqui.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
"E as coisas inúteis servem para poesia"
Estava arrumando algumas caixas no armário essa semana, e em uma delas, nomeada "Presentes", encontrei coisas engraçadas!Encontrei cartinhas da época da escola que meus amigos me escreviam, e presentes engraçados, como um "vale-presente" escrito num guardanapo, um origami, uma flor pintada em madeira, um elefantinho de cerâmica, muito pequenininho....uma tampa de caneta verde muito mordida...um bracinho de um boneco que uma amiga desmembrou e deu uma parte pra cada amigo....rs! Ingressos de filmes, teatro, mais cartas, poesias! Aviãozinho de papel, barquinho de papel e uma quantidade infinitas de conversas de aula no colégio, da faculdade, cursos. O leitinho do Blur exposto na minha escravinha. Um vale wi-fi do Mc Donald's!!! Desenhos, muitos desenhos! "Eu sou a rainha das inutilidades", - pensei.
Mas não é verdade que as coisas úteis, depois que cumprem seu papel se vão? "E as coisas inúteis servem para poesia". Começo a reparar que sou a comprovação viva disso, rs!
Para os meus amigos extraordinários, que sempre deixaram suas marcas em presentes de desaniversários, lembretes afetuosos e que desejaram prolongar a companhia nessa vida bandida (rs!), eu quero dizer que vocês moram no meu coração, e sei reconhecer o momento de cada uma dessas aparentes "quinquilharias", como se estivesse vivendo hoje o momento.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Sem vaidade
Sem vaidade-
(crombie)
Ao dia que passa
esperança no amanhã
Aos livros ainda não lidos
desapego às coisas vãs
esperança no amanhã
Aos livros ainda não lidos
desapego às coisas vãs
À falta do céu estrelado
Luzes sobre o mar da cidade
Ao coração apertado
alívio na eternidade
Luzes sobre o mar da cidade
Ao coração apertado
alívio na eternidade
Às lindas cantigas cantadas
ouvidos agradecidos
Ao silêncio que sopra
vento com som de riso
ouvidos agradecidos
Ao silêncio que sopra
vento com som de riso
Muitos sonhos por realizar
mas ainda temos pouca idade
Com a terra que sujou a calça
vivemos sem vaidade...
mas ainda temos pouca idade
Com a terra que sujou a calça
vivemos sem vaidade...
domingo, 20 de janeiro de 2013
direito= arrogância x simplicidade
Escolhi uma profissão meio soberba, pensei por esses dias. Tenho uma dificuldade absurda de dizer com leveza o que eu escolhi fazer da vida. Em parte pelo imaginário que as pessoas possuem de que uma pessoa que fez Direito é uma pessoa arrogante ou ruim. Em parte, porque no fundo no fundo eu entenda o que essas pessoas sentem quando ouvem que alguém é advogado. Em parte porque eu tenha passado 5 longos anos repudiando algumas pessoas com as quais eu só tenha passado algumas aulas, e quando digo repudiado, me refiro aos comportamentos estranhos e pedantes mesmo. Passei 5 anos me sentindo deslocada. Após minha colação de grau eu percebi que o Direito será minha carreira, de fato. Entendi que precisava me libertar desses desconfortos na alma.
Percebi que essa sensação ruim que as pessoas têm quando se trata da minha profissão é causada pela atitude de seus porta-vozes. É por conta da irresponsabilidade que tantos com os direitos de alguns. é por conta das famosas carteiradas, e por essas pessoas acharem que estão acima do bem e do mal. É por conta da maneira como agem, como falam, como entendem as coisas(e eu me pergunto se elas entendem alguma coisa).
É claro, o direito não é só feito de gente assim. Isso é o que me acalma! Existe gente que tem orgulho de ter estudado as leis durante 5 anos, sim. Mas sua motivação está no conhecer as regras do jogo para não deixar o coleguinha roubar e abusar das regras, inventando ou omitindo, escondendo uma carta. Está no fazer com que o coleguinha saia do jogo porque foi desonesto, porque não soube brincar. Quase um jogo de banco imobiliário. Um guardião, por assim dizer, do "agir" corretamente com os direito das pessoas.
No dia da minha formatura, me emocionei quando, eu olhei para o lado, e para alguns lugares do salão, e vendo meus grandes amigos sendo chamados por seus nomes e pegando seus diplomas. Eu pensei que ali estavam indo pessoas responsáveis que assumiriam seus lugares, de verdade. Esses amigos, eu tenho certeza, são pessoas que vão devolver a sociedade aquilo que receberam gratuitamente como dons e talentos.
Eu continuo sentindo um pouco de dificuldade para admitir o que resolvi fazer da vida, rs! É que não combina muito comigo a parte "terninho e palavras inacessíveis" do direito, que é a primeira coisa que as pessoas pensam. Mas no fundo, no fundo...eu sei que o direito é muito simples. Sei que é a profissão certa para mim. E eu me sinto contente de estar habilitada a manuseá-lo. Quando eu fico chateada por ver uma intolerância social, uma indiferença ou um desrespeito, eu entendo que estou no lugar certo. Sempre me senti impelida a lidar com essas coisas.
Uma pessoa me falou que vocação a gente descobre quando determinado sentimento volta várias vezes ao coração. Quando a gente tem a mesma atitude em situações diferentes, mas em vários momentos da vida. E o simples desejo de ver as regras e os princípios funcionando, sempre me moveram. Lembro que quando eu era criança me cortava o coração, por exemplo, ver passarinho preso na gaiola, rs! Era um sentimento simples sobre uma situação que alguns diriam boba.
Mas esse mesmo sentimento volta, quando eu vejo casais se separando e os filhos ficando com um dos cônjuges por vingança pessoal, ou esposas voltando para seus esposos agressores; índios sendo retirado de suas terras para construção de gasodutos; idosos sendo abandonado por seus filhos; e esses mesmos filhos querendo ficar responsáveis por seus patrimônios; grávidas sendo demitidas de seus empregos sem justa causa; consumidores sendo enganados diariamente por um mercado desleal; pessoas sendo distratadas pela cor de sua pele, opção sexual, escolha religiosa, grau de instrução; imobiliárias vendendo imóveis cheios de dívidas de iptu, para pessoas que lutaram uma vida inteira para comprar sua casa própria; cobranças indevidas de bancos a pessoas que pagam suas contas em dia; operadoras de celular que não estão interessadas em resolver os problemas que elas mesmas causam a seus clientes; pessoas esperando horas e horas, para que o plano de saúde realize a liberação do convênio......
Enfim, esses são só alguns casos de injustiças que eu acredito que merecem a nossa intervenção. Que merecem levar um BASTA, que merecem pessoas com garra, amor, e argumentos que destruam seus ardilosos planos de ganhar uma causa sem ter o direito. Assim, acabei por descobrir minha vocação. É a sensação de uma briga mesmo...entre o direito e o direito. Entre os que de fato tem razão, e os espertos que não querem só assegurar seu direito a ampla defesa, mas querem sair da arena ganhando alguma coisa(tenho nojo disso!). Não que eu goste de brigar, pelo contrário...mas ver ruindade faz com que eu vire uma leoa, rs! Um grau de inconformismo que me tira do sério, e que quando eu vejo, já estou lá discutindo, ainda que muito calma.
E eu me sinto responsável, mais do que nunca, em levar a sério a minha profissão. Então, se você me perguntar, o que eu fiz durante esses 5 anos....você vai encontrar uma tímida resposta, porque faz parte da minha personalidade essa coisa de ser invisível, mas você vai encontrar também, um coração cheio de esperança e amor pela profissão escolhida.
=D
domingo, 6 de janeiro de 2013
pois é!
E esse fim de ano passou sem fortes resoluções! Eu só pensei que é bom viver a beleza dos dias, da poesia, e a paz que é maior. Cada dia, um dia. Por essa e tantas outras coisas ando enxergando o bom lado em muito cantos que eu nem olharia, e isso traz um encanto que eu já não experimentava fazia um certo tempo por conta do meu pensamento tão viciado e encaixado. Não é a toa que o Manoel- querido- de Barros, sempre está olhando para o chão achando coisas incríveis de maneira inusitada!
É bom viver assim....meio que acordado..meio que sonhando de vez em quando. Parece coisa de gente esquisita, mas é preciso pirar de vez em quando, e se enxergar um pouco livre do normal, serenando por aí em canções, em palavras, gestos e tal.
Vem 2013, com tudo o que é para ser vivido!
É bom viver assim....meio que acordado..meio que sonhando de vez em quando. Parece coisa de gente esquisita, mas é preciso pirar de vez em quando, e se enxergar um pouco livre do normal, serenando por aí em canções, em palavras, gestos e tal.
Vem 2013, com tudo o que é para ser vivido!
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