quinta-feira, 18 de junho de 2009
meias, cafunés, e saudades
Esses dias eu estive vendo algumas fotos antigas com a minha mãe. Fotos bem antigas da minha avó, da minha infância, das nossas vidas.
Eu não tenho muito apego a essas coisas, normalmente, mas comecei a lembrar. Engraçado é que venho pensando muito nisso, e um dia sonhei com ela.
É estranho sonhar assim. Você acorda e a pessoa já não existe mais! No sonho minha avó estava como sempre esteve. De roupas de vó, aqueles olhinhos de abóbora, com jeitinho de boa gente, e com aquela voz minúscula. Perto dela tinha meu pedaço de pudim, tinha os potes de maionese pra eu brincar de comidinha[ela guardava pra que eu e minha primas pudéssemos brincar], tinha também o canteiro de rosas que ela gostava[e eu estragava], e um monte de coisas que me deixaram de coração mole. Lembrei das minhas implicâncias com ela também.[ Eu fui uma criança bem implicante].
Li, "a saudade é uma coisa que fica andando pelo tempo passado à procura dos pedaços de nós mesmos que se perderam", e senti como se eu tivesse encontrado um pedaço valioso disso. O problema foi que quando acordei, senti tê-lo perdido outra vez. Isso acontece sempre. Quantas vezes eu sinto um cheiro, e fico tentando me lembrar de onde conhecia....quando acho que lembro, o cheiro já passou, e a lembrança escapou pelos meus dedos! [são bem escorregadias as lembranças].
Não estou para clarezas hoje....
Alma
pedaço de um abraço
[uma memória]
Cheiro de outras partes da vida
esparramadas pela lembrança
[de outras partes de mim]
dos meus brinquedos de madeira
da comida da vizinha
do meu pai indo viajar
da volta às aulas
dos meus amigos do primário
de ontem
e de ainda agora.......
Assinar:
Postar comentários (Atom)
13 comentários:
Vc não está para clarezas?! Mais claro que isso é impossível! Compartilho deste sentimento com vc, irmã!
O que conforta em relação a Saudade é que ela existe por conta dos momentos que passamos com aqueles que amamos por mais simples que eles pareçam...
as lembranças tb são escorregadias pra mim..
(;
Quase marejei, pois essa lembrança e saudade jamais se apagarão da minha memória e do meu coração. compartilho com vc esse sentimento.
ei, pera lá!
mas que lindeza leve temos aqui.
vou te dizer com que parece: passos de gatinha de criança com meia, em dia em que todos dormem.
e esse texto foi pra mim aquela pétala de flor que cai no nosso rosto e faz-nos frescos.
Hm hm
bonito o seu cantar
=*
ai. saudade...
[voltarei mais vezes. obrigada por seu comentário lá na meu... :)]
"de ainda agora"...
às vezes a saudade, ou a nostalgia vem assim. De alguma oisa que ainda está acontecendo... ou que ainda nem aconteceu, como diria o Lenine:
"Às vezes eu pressinto, e é como uma saudade, de um tempo que ainda não passou..."
Seu texto tem cheiro de terra molhada.
Ele aconchega!
Parabéns!
Você é muito singela, Fernandinha...quem te conhece sabe que o que você escreve é seu retrato.
saudade é coisa que dá e não passa.
agora vc está deviamente linkada no meu =]
bonito.
isso tem cheiro de bolo de chocolate, e de sessão da tarde em dia friona casa da minha penultima babá
"O senhor sabe? Já tenteou sofrido o ar que é saudade? Diz-se que tem saudade de idéia e saudade de coração..." Sertão Veredas-Guimarães Rosa
"não estou para clarezas" é muito roseano. é seu?
acredito que a gente lê um livro (ou um post) pra chegar a uma frase. e essa foi ela. virei fã.
Postar um comentário