
De tão desanimado com aquelas coisas, Chanson se achou no direito de dormir,e deitando sua nem tão vasta cabeleira musical na grama de um lugar melancólico, repousou triste.
Foi uma noite sossegada. Já não tinha tanta tristeza para Chanson depois de uns três cochilos longos e consecutivos. Longos porque ele dormira profundamente, e consecutivos, porque acordava, e desacordava.
O menino, apoiado com os braços para trás, via agora aquela noite com uma chuva fininha, e se inspirou na beleza daquilo tudo.
Já não era mais como ele estava acostumado, pois desde que ele nasceu(que, aliás é outro fato curioso, mas que só dá papo para outro dia), não vira noite de chuva fina tão calma, tão serena.
E por ter estado traquilo, Chanson se sentia estranho entre todas aquelas mudanças. Era uma saudade da Aurora, misturado com a sensação de bem-estar por presenciar aquela cena linda, das gotas fazendo PLIC e PLOC devagarzinho no chão.
Ele resolveu tentar mais uma vez. Sentia medo da falta que aquela nota poderia fazer, e ao mesmo tempo o dó de si o atrapalhava, mas caminhou até o lugar mais bonito daquela noite, e esperou que alguém passasse,-decidido- porque por algum motivo achava que devia se arriscar.
Esperou por horas, mas não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a praça, a chuva e a bela canção que se formava dentro dele. Bastava tirar uma nota, e entregar a alguém, que logo nasceria uma composição inteira e autêntica na sua cabeleira.
Às duas horas da manhã é difícil alguém ir até uma praça, caminhar sozinho pela rua. Era o que mais aborrecia Chanson. E esse também se tornava no mesmo motivo pelo qual as pessoas não aceitavam, sem estranheza, seus presentes gratuitos.
Quando pensou sobre aquele dia, e sobre suas tentativas, Chanson quase voltou ao seu estado anterior, e por um instante, parecia um impasse eterno, aqueles poucos segundos de ter que decidir se permaneceria ali esperando ou não por alguém.
Chanson suspirou pensando estar sozinho no meio da sua escolha, e mais uma vez notou que a Aurora- sua amiga desanunciada- fazia uma falta enorme.
4 comentários:
Fernandinha, adoro esse Chanson. Continue me contando essa história? bjo!
Vlw pela visita Fenandinha. Gostei muito desse.
Fico feliz de ver pessoas que apreciam a literatura naquela faculdade. =)
=]
tem Chanson, e tem vida em abundância...tem cabelos! =D
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