quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Borra

Já faz um tempo que eu quero escrever, mas seguro o impulso de não colocar qualquer coisa, ou de não deixar meu coração tão vulnerável espalhando pela rede sentimentos tão pessoais.

Mas estive pensando um bocado, e me veio a mente, que a minha dor pode ser a dor de quem esteja lendo, bem como a minha satisfação também possa ser a de quem esteja contente. Então, isso torna tudo muito relativo em relação aos sentimentos.

Agora e hoje, eu já não acho que devo deixar de dizer o que eu sinto por causa de mim mesma, mas do outro. Preservar quem está lendo de uma tristeza ou alegria!

Por mais louco que pareça, eu venho percebendo que, em geral, quem acaba vindo aqui nem sempre são os meus melhores amigos, porque normalmente eles sabem o que acontece no meu dia-a-dia. Quem vem aqui, despretenciosamente, nem sempre quer saber se eu estou pensando uma coisa legal, e quer participar comigo disso. E essas pessoas merecem ser preservadas(ou banidas do contentamento ou descontentamento). Enfim, deixemos para lá!

Muito tem me aborrecido algumas coisas. São genéricas, e por isso escolhi escrever. Parece que as pessoas tem uma grande dificuldade de viver suas próprias vidas, e isso eu acho que é a nossa geração Facebook, que está sempre com uma antena ligada, criando padrões de costumes, gostos, amizade, de saídas por aí, de namoro, casamento(!!!) e etc.

Por que será que todo mundo lá é tão inteligente, tão descolado, tão poético, tão políticos, tão fofinhos??? Aiai...chega a dar raiva, e não culpo uma amiga minha que uma vez me falou sobre a sensação de que algumas pessoas "forçam a barra" para ser uma coisa que elas não são, de gostar de coisas que elas não gostam, de fazer coisas que elas não apreciam, por simples necessidade de mostrar que elas estão dentro daquilo ali. Isso é triste, de verdade.

Eu gostaria de incentivar as pessoas a fazerem uma visita a si mesmas. Uma busca por descobrir quem são, o que gostam, o que não gostam. Gostaria de incentivar as pessoas a se libertarem da ditadura dos gostos, e assumirem que nem sempre ler é tão prazeiroso, ou que elas não assistiram o último filme que passou no Estação, ou que elas foram ver a Carminha e a Nina na Globo(uowwwww)! Que na maior parte das vezes é um porre ficar ouvindo sobre assuntos sérios o tempo inteiro, e que é muito legal falar bobagem, rir e não saber sobre algum assunto, porque podemos aprender!

Dia desses meu noivo (sim, agora noivos!) trouxe um livro sobre "como aprender a ler"(acho que é esse o nome dele em português, confirmo depois), e eu sei que pensei "qual seria a razão de ele estar lendo aquilo?", sendo ele alguém que lê tanto. Eu o ouvi fazendo a descrição, quando vieram todos esses pensamentos na minha cabeça, e tomei consciência do quanto eu precisava ler esse livro!

A gente precisa mesmo aprender as coisas do básico. Rever nossas motivações, rever nossos gostos, se desprender dos grupos. Dá uma sensação muito boa no coração de que nós podemos não estar com certas pessoas, porque elas causam em nós verdadeiro "peso nas costas" com seus julgamentos e condenações silenciosas, e de que somos pessoas inteiras quando deixamos de viver os fragmentos das vidas alheias! Eu proponho, isso: uma verdadeira descoberta sobre a plenitude. E se você se descobrir uma pessoa muito diferente de quem você se diz hoje, não faz mal. É assim mesmo.

Não tenhamos vergonha de assumir nossa verdadeira identidade, porque ela é essencial para vivermos de verdade, sabe? Venho caminhando muito feliz por isso. Eu não quero ser nada, nem transparecer mais nada. Não quero mostrar nada, nem convencer ninguém de nada. O espaço vale, única e exclusivamente, para eu dizer qualquer coisa sem comprometimento...mas se algumas pessoas que me visitam por aqui descobrirem que elas são livres dessas coisas que eu falei, não vou esconder que ficaria muito feliz pela contribuição, rs!

A BORRA- Manoel de Barros

"Prefiro as palavras obscuras que moram nos fundos de uma cozinha- tipo borra, latas, cisco Do que as palavras que moram nos sodalícios- tipo excelência, conspícuo, majestade.
Também os meus alter egos são todos borra, ciscos, pobre-diabos
Que poderiam morar nos fundos de uma cozinha - tipo Bola Sete, Mário Pega Sapo, Maria Pelego Preto etc. Todos bêbados ou bocós. (...)"

Um comentário:

Lucas Gerhard :: gerhard-way disse...

Se o que for, seja original! Abra a cabeça! (Kuat) rsrsrs

bjos linda!