O cais não seria das melhores palavras num certo tempo atrás para definir calmaria. Tudo que me remetesse a mar, barco ou navio, na verdade, me causava um certo desconforto- um cais repleto de barquinhos que flutuam em água cheia de mar.
Só que ultimamente, eu não sei porque, mas tenho me aproximado de toda imagem que envolve um cais com uma afinidade relativa- sim, relativa porque ainda não me resolvi tão bem com o cais, e também porque gosto muito dessa palavra. Ela abre um mundo de possibilidades, quando você não está certo de alguma coisa!
Acho que tem a ver com eu ter lido, esses dias, um pouco do Conde de Monte Cristo , e ver toda aquela figura do Dantes, meio marujo, meio homem do mar, e logo depois, meu pai ter me contado um pouco do seu dia-a-dia dentro de um navio bem grande, e suas viagens pelo mundo. Meu pai é um homem do mar. Lembro de uma vez, quando pequenininha ele chegar com uma barba bem grande, e de ele abrir a mala, tirando de dentro dela uma caixa de bombons para mim e para minha irmã. Minha mãe insistindo que ele fosse logo tomar banho e tirar aquela barba feia. Ele deixava, então, um bigode! - protesto!
O mar me perseguiu mais uma vez. Na mesma semana li uma parte do Evangelho que falava de Jesus acalmando uma tempestade, de dentro de um barquinho, onde os discipulos se encontravam bem temerosos. Chamavam por Ele, porque achavam que não podiam passar por ela sozinhos.
E aí, que choveu um bocado dia desses- em todos os sentidos, posso assim dizer-, e eu fiquei sentindo que Deus estava cuidando de mim e da minha familia. Não havia o que temer nem tremer.
E uma música de um querido amigo que sempre me tocava, passou a me tocar mais ainda:
"luar, claro lugar de cores raras
de flores raras
pra se deitar, se deleitar
e esquecer outros lugares
que há outros mares pra se navegar
é Teu estar em mim
que me faz assim
como quem enfrentou temporais
naufragou e bem longe do cais
encontrou um porto seguro
pra descansar em paz
é Teu estar em mim
que me faz assim."
Lembrei das águas de Nárnia, do cuidado de Deus, do meu pai e fui fisgada pelo mar, sem medo, só mar mesmo.
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