segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Chanson III


De tão desanimado com aquelas coisas, Chanson se achou no direito de dormir,e deitando sua nem tão vasta cabeleira musical na grama de um lugar melancólico, repousou triste.

Foi uma noite sossegada. Já não tinha tanta tristeza para Chanson depois de uns três cochilos longos e consecutivos. Longos porque ele dormira profundamente, e consecutivos, porque acordava, e desacordava.

O menino, apoiado com os braços para trás, via agora aquela noite com uma chuva fininha, e se inspirou na beleza daquilo tudo.

Já não era mais como ele estava acostumado, pois desde que ele nasceu(que, aliás é outro fato curioso, mas que só dá papo para outro dia), não vira noite de chuva fina tão calma, tão serena.

E por ter estado traquilo, Chanson se sentia estranho entre todas aquelas mudanças. Era uma saudade da Aurora, misturado com a sensação de bem-estar por presenciar aquela cena linda, das gotas fazendo PLIC e PLOC devagarzinho no chão.

Ele resolveu tentar mais uma vez. Sentia medo da falta que aquela nota poderia fazer, e ao mesmo tempo o dó de si o atrapalhava, mas caminhou até o lugar mais bonito daquela noite, e esperou que alguém passasse,-decidido- porque por algum motivo achava que devia se arriscar.

Esperou por horas, mas não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a praça, a chuva e a bela canção que se formava dentro dele. Bastava tirar uma nota, e entregar a alguém, que logo nasceria uma composição inteira e autêntica na sua cabeleira.

Às duas horas da manhã é difícil alguém ir até uma praça, caminhar sozinho pela rua. Era o que mais aborrecia Chanson. E esse também se tornava no mesmo motivo pelo qual as pessoas não aceitavam, sem estranheza, seus presentes gratuitos.

Quando pensou sobre aquele dia, e sobre suas tentativas, Chanson quase voltou ao seu estado anterior, e por um instante, parecia um impasse eterno, aqueles poucos segundos de ter que decidir se permaneceria ali esperando ou não por alguém.

Chanson suspirou pensando estar sozinho no meio da sua escolha, e mais uma vez notou que a Aurora- sua amiga desanunciada- fazia uma falta enorme.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

direitos humanos?


"O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido."

-o último discurso -
O Grande Imperador
(Charlie Chaplim)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

RECORDAR É VIVER.

"ó, que saudade que eu tenho
da aurora da minha vida
da minha infância querida
que o anos não trazem mais"

rs!

BOB- Fanstástico mundo de BOB



DOUG FUNNY




CRUJ CRUJ CRUJ TCHAU!



ANA PIMENTINHA



MARSUPILAME



MUPPETS




HATUNA MATATA

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

passarinho.

achei e queria colocar aqui em homenagem a uma amiga que me faz parar para ouvir os passarinhos








obrigada, preta!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

atemporal

uma amiga minha foi ser atemporal, e me deu um presente de desaniversário assim:






Obrigada, Raquel.

domingo, 12 de setembro de 2010

sem unha e saudades.

Tenho acordado cedo, e as coisas sempre ficam muito confusas. Quando estou faminta ou sonolenta fico assim: meio a beira de um ataque. Sim, eu pareço um Tamagoshi. A questão é que tudo parece ser mais intenso e toma proporções muito maiores do que como elas são ou estão. Mas dessa vez, eu juro que estava me sentindo bem. Apesar da rotina desgastante eu estava bem, e o dia parecia promissor, até eu prender o dedo na porta da condução. Chorei involuntariamente.

Agora, meu dedo está roxo, e minha unha ao que parece, vai cair. Você deve fazer idéia de como um machucadinho desses deve doer. E eu simplesmente fico abismada de como uma coisinha dessas possa mexer tanto com o meu dia-a-dia. Com uma unha prestes a cair você não pode lavar a cabeça direito, porque como ensaboar os cabelos e esfregar o couro cabeludo sem forçar a unha? Você não pode tocar violão. Você também não pode digitar com rapidez. Você não pode tentar abrir o pote de geléia. Você não pode segurar a mão do namorado(pq por mair amável que ele seja, ele pode sem querer fazer com que a unha saia, e isso pode criar um problema de relacionamento, rs!). Você não pode lavar roupa, nem louça. Você precisa ter muito cuidado com outras batitas ao andar pela rua. Você não pode passar a folha do livro, nem do jornal, nem da revista......vc fica limitado.

senti falta dos meus amigos, hoje.

Tenho ouvido Postcad From Italy como se não houvesse amanhã, rs!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

super-homem

Todos os dias seu fazer era nada. Chegava ao escritório, ajeitava o porta-retrato, e mexia nos papéis. Tomava o café e voltava, sentando-se e escrevendo documentos. Entre pensamentos tornava a esvaziar sua mente de todo nada possível, mas nunca conseguia, assombrado por pensar na rotação da terra, por preocupar os grãos de areia do sapato, por achar que desarrumou o universo [com seu espirro], e se perguntar se Deus estaria com frio numa manhã que despertara, especialmente gelada.
Achava incomum a cenoura amolecer e o ovo endurecer, os dois em água fervente. E se importava comumente com a cotação do dólar, ou com altas e baixas, na bolsa de valores,- seu trabalho.
Um dia fraquejou de olhar uma gota de sangue, que pingara do dedo machucado, e cismou que sangue tinha um cheiro forte, que nem o de uma barra de ferro enferrujada, e acrescentou ter um paladar e um olfato diferenciados; disse saber o gosto de pedra, e o gosto de madeira, sem nunca ter provado nenhum dos dois.
Achava grandioso ver os aviões decolando, e rezava para que não caíssem quando passavam por cima dele. Se espantava com besouros, e quando se via perto dos outros, se achava alguém cansativamente normal.