quarta-feira, 2 de novembro de 2011

silêncio


Poucas coisas são tão bonitas para mim quanto o silêncio. Assim, quando você está caminhando quieto, vem um pensamento e você começa a sentir o que é vivo, e que se está vivendo. Silêncio é como se do nada fosse aberta a possibilidade de notar com muita consciência que se está onde está. Dá para perceber as coisas com uma precisão absurda, que embora pareça dádiva, também se torna insuportável, porque na mesma proporção se pensa o oposto: o não existir mais. É estranho. É uma sensação de descolamento e vulnerabilidade no mundo, e das coisas, em separado, mas é bonito.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Manoel é um poeta sacana


Manoel é um poeta sacana. Parece que ele sempre está dizendo que tudo o que gastamos demasiadamente nossas forças é em vão, porque o que realmente importa são as coisas menores. E assim, eu fico um pouco constrangida, por pensar que as coisas simples precisam ser tratadas com mais compromisso, e que são poucos os que dão a elas o seu devido valor. O que eu senti de mais importante lendo Manoel é que ser chamado de inútil não é uma ofensa, é um elogio ( desde que se tenha compromisso! Afinal, "Repetir repetir - até ficar diferente.Repetir é um dom do estilo." E isso não é para qualquer um. É necessário ter muita disciplina para chegar ao ponto de enxergar que "formigas carregadeiras entram em casa bunda", e que "o esplendor da manhã não se abre com faca". É importante apurar os sentidos para essa coisa toda).

" Um homem catava pregos no chão.
Sempre os encontrava deitados de comprido,
ou de lado, ou de joelhos no chão.
Nunca de ponta.
Assim eles não furam mais – o homem pensava.
Eles não exercem mais a função de pregar.
São patrimônios inúteis da humanidade.
Ganharam o privilégio do abandono.
O homem passava o dia inteiro nessa função de catar pregos enferrujados.
Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter. "

Manoel de Barros

domingo, 23 de outubro de 2011

Constitucionalidade do Exame de Ordem: em discussão.



Como nem tudo é poesia...

Eu sempre ouço, de quem está de fora da situação, dizer: "tem mesmo é que ter esse exame para distinguir os bons dos maus"! Nesse momento eu sempre dou aquela respirada profunda, e tento procurar alguma paciência dentro de mim. E não pensem que só estou criticando porque estou vivenciando esse momento. Mas, de fato, agora é bem oportuno tocar no assunto, muito embora essa questão já me incomodasse antes.

Primeiro, gostaria de dizer que eu concordo que exista um exame de Ordem, mas não pelo motivo acima exposto. Quem pensa que o Exame de Ordem, tal qual tem sido realizado é o "pulo do gato" para afastar os maus profissionais dos bons, está absurdamente enganado.

Eis as razões, sem o juridiquês, para que todos compreendam:

-as provas são muito mal elaboradas;

-o aluno precisa decorar matérias sem entender boa parte das coisas;

-tem se tornado cada vez mais necessário se adestrar para realizar o exame(e não me venha com o papo de que o aluno se preparou durante 5 anos, porque isso é mentira. Durante muitos períodos aprendi o direito de uma forma que não passa nem próximo ao que é cobrado no exame. Que fique claro, o que eu aprendi na faculdade não foi "como não cair na pegadinha que a banca da prova pode fazer", nem acho que isso seja aprender. Aprendi coisas sérias sobre as questões jurídicas, ou seja, não estou falando da minha faculdade, mas do Exame. Inclusive, o cúmulo seria se a Academia (e olha que eu nem sou a pessoa mais a favor desse papo de academicismo) deixasse de ensinar o que ensina para adotar os métodos do cursinho, só para que seu aluno passasse na OAB;

-alunos ruins que vão para um cursinho(sem saber coisas básicas), fazendo exatamente o que o aconselham, passam;

-para segunda fase, você não precisa ter necessariamente elaborado peças durante toda a sua faculdade, basta praticar durante horas por dia como realizar as peças principais de determinada área(geralmente se escolhe a que "tem menos peças"); etc, etc, etc...

Eu percebi que algo estava errado quando um professor no cursinho disse: "não precisa pensar muito; não precisa ser filósofo...filósofo não passa!"

Isso quer dizer que o perfil dos profissionais que entram no mercado de trabalho, nem sempre é aquele "idealizado" por quem (sem saber) acredita que o exame é um divisor de águas.

Como eu disse, não sou contra o exame desde que seja reelaborado, com compromisso e respeito pelos estudantes. É um absurdo que se pague R$ 200,00 , por uma prova enganadora, como a atual. Tenho amigos que passaram, e tenho outros que não passaram. Não considero que os que passaram sejam melhores que os que não passaram. Considero que a OAB está nos emburrecendo, com uma prova ruim e obscura, e toda vez que sento horas e horas para estudar(decorando legislação..é decorando, como se advogados nunca consultassem a lei) percebo que muitas coisas estão erradas.

Para quem não sabe, são realizados 3 exames de OAB por ano. A quantidade de cursinhos que sobrevivem as custas do exame são enormes, e a quantia arrecadada pela OAB por cada exame, eu prefiro nem comentar.

Por fim, aos amigos que estão nessa luta, desejo meus sinceros votos de sucesso, e também muita força nessa fase complicada. Dia 30/10/2011, é um dia importante, e que vocês consigam os 40 pontos(rs!) para a próxima fase.

Abaixo, uma reportagem do GLOBO, para quem está completamente por fora do assunto:

JORNAL GLOBO- 'O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello liberou nesta sexta-feira (14) para julgamento em plenário o processo em que o bacharel em direito João Antonio Volante contesta a necessidade de aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para exercer a profissão de advogado.

Volante recorreu ao STF contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que julgou legítima a aplicação da prova pela OAB. A prova aplicada pela entidade é condição para que o bacharel em direito se torne advogado e atue na profissão.

Apesar de o caso estar pronto para ser analisado pelo plenário do STF, ainda não há data para o julgamento. A inclusão do processo na pauta do Supremo depende do presidente da Corte, ministro Cezar Peluso.

No processo, que tramita no STF há 2 anos, o bacharel em direito afirma que a exigência prévia de aprovação no exame é inconstitucional.

OAB
O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcanti, disse que a entidade tem "permissão constitucional" para aplicar o exame.

“A Ordem está acobertada pela permissão constitucional, e essa postura não é diferente em outros países do mundo. Não se está inovando no Brasil. O exame passou a ser necessidade social na medida em que há um número cada vez maior de faculades de direito e de alunos”, disse Cavalcante.

“A Ordem está acobertada pela permissão constitucional e essa postura não é diferente em outros países do mundo não se esta inovando no Brasil. O exame passou a ser necessidade social na medida em que há um número cada vez maior de faculdades de direito e de alunos”, disse Cavalcante.

De acordo com dados da OAB, atualmente funcionam no Brasil 1.174 faculdades de Direito com 651 mil alunos matriculados entre o 1º e o 5º ano do curso. Por ano, são formados todo o país cerca de 100 mil bacharéis na área, segundo a entidade.

“Considerando o afrouxamento das regras para criação de cursos, o exame é essencial e acaba fazendo as vezes da universidade de reprovar. Deixar para o mercado fazer essa seleção é extremamente perigoso. O exame é um instrumento de defesa da sociedade para receber serviços de qualidade em dois aspectos vitais: a liberdade e o patrimônio”, completou o presidente da OAB.

MP defende fim da exigência
O Ministério Público Federal defende o fim da exigência do exame da OAB. Em parecer enviado ao relator do processo, o subprocurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou que a prova viola o princípio constitucional do direito ao trabalho e à liberdade de exercer uma profissão.

“Não contém a Constituição mandamento explícito ou implícito de que uma profissão liberal, exercida em caráter privado, por mais relevante que seja, esteja sujeita a regime de ingresso por qualquer espécie de concurso público”, afirmou Janot no parecer.

Para o representante do MPF, o exame da Ordem não garante que será feita a “seleção dos melhores advogados” e pode até ser entendido como reserva de mercado.

“O exame de ordem, visto sob esse ângulo, nada mais é do que um teste de qualificação profissional para o exercício da advocacia daqueles que já possuem um diploma atestando esta mesma qualificação.”'

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Roberto Benigni



Se você não tiver nada para fazer por aí, alugue "O Tigre e a Neve". Vale muito a pena. Há quem considere o Roberto Benigni apenas o ator principal de "A vida é bela". Para mim esse cara é um monstro. Se você está triste, ver um filme com ele faz você ficar bem, e faz você achar que pode tudo!

Com 15 matérias, OAB, monografia, e bláblá...parei para assistir, e o sentimento final foi: "valeu a pena!". Aliás, o Lucas é o grande responsável pela descoberta! Te amo, meu bem!

Um trechinho para vocês acompanharem:

sábado, 6 de agosto de 2011

não me dou bem com o tempo


faz um tempo que venho percebendo que não me dou bem com o tempo. Pois é...eu lembro que desde pequena eu ficava meio abismada com essa coisa de a gente viver só até determinado dia, e depois, pronto-morreu. Eu não sei lidar com essa idéia, ainda que eu acredite em Deus, e ache sensacional que eu vá desfrutar da companhia do Amigão eternamente. O problema é que ver as pessoas passando, deixando de existir...saber que pessoas amadas não vão estar do nosso lado sempre, meio que me assombra.

o que fazer sobre isso? Não há saída. Eu ouvi um dia uma música que dizia:

"Eu sei que falta um tempo pra que a gente
Passe a eternidade aos Teus pés
Enquanto a gente vive e gira
Em torno do sol
Eu só, te peço

Da una vuelta más
Solamente una vuelta"

Pois é...eu peço uma volta mais para cada amigo, para cada querido meu...sempre isso. E eu admito: não é um assunto muito fácil, nem simples para mim. Como ser indiferente a isso?

Fico tentando entender como as pessoas podem falar de teorias, religião, politica, qualquer assunto, sem passar o filtro nessa questão. Que preocupação as pessoas tem sobre o fim da jornada? Nenhuma? Cara, como isso me espanta..e move meu coração.

Você não se preocupa?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Chanson III


De tão desanimado com aquelas coisas, Chanson se achou no direito de dormir,e deitando sua nem tão vasta cabeleira musical na grama de um lugar melancólico, repousou triste.

Foi uma noite sossegada. Já não tinha tanta tristeza para Chanson depois de uns três cochilos longos e consecutivos. Longos porque ele dormira profundamente, e consecutivos, porque acordava, e desacordava.

O menino, apoiado com os braços para trás, via agora aquela noite com uma chuva fininha, e se inspirou na beleza daquilo tudo.

Já não era mais como ele estava acostumado, pois desde que ele nasceu(que, aliás é outro fato curioso, mas que só dá papo para outro dia), não vira noite de chuva fina tão calma, tão serena.

E por ter estado traquilo, Chanson se sentia estranho entre todas aquelas mudanças. Era uma saudade da Aurora, misturado com a sensação de bem-estar por presenciar aquela cena linda, das gotas fazendo PLIC e PLOC devagarzinho no chão.

Ele resolveu tentar mais uma vez. Sentia medo da falta que aquela nota poderia fazer, e ao mesmo tempo o dó de si o atrapalhava, mas caminhou até o lugar mais bonito daquela noite, e esperou que alguém passasse,-decidido- porque por algum motivo achava que devia se arriscar.

Esperou por horas, mas não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a praça, a chuva e a bela canção que se formava dentro dele. Bastava tirar uma nota, e entregar a alguém, que logo nasceria uma composição inteira e autêntica na sua cabeleira.

Às duas horas da manhã é difícil alguém ir até uma praça, caminhar sozinho pela rua. Era o que mais aborrecia Chanson. E esse também se tornava no mesmo motivo pelo qual as pessoas não aceitavam, sem estranheza, seus presentes gratuitos.

Quando pensou sobre aquele dia, e sobre suas tentativas, Chanson quase voltou ao seu estado anterior, e por um instante, parecia um impasse eterno, aqueles poucos segundos de ter que decidir se permaneceria ali esperando ou não por alguém.

Chanson suspirou pensando estar sozinho no meio da sua escolha, e mais uma vez notou que a Aurora- sua amiga desanunciada- fazia uma falta enorme.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

direitos humanos?


"O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido."

-o último discurso -
O Grande Imperador
(Charlie Chaplim)