domingo, 4 de novembro de 2012

cais

(Dedico esse pequenino texto ao meu paizão, que está dentro do mar!)

O cais não seria das melhores palavras num certo tempo atrás para definir calmaria. Tudo que me remetesse a mar, barco ou navio, na verdade, me causava um certo desconforto- um cais repleto de barquinhos que flutuam em água cheia de mar.

Só que ultimamente, eu não sei porque, mas tenho me aproximado de toda imagem que envolve um cais com uma afinidade relativa- sim, relativa porque ainda não me resolvi tão bem com o cais, e também porque gosto muito dessa palavra. Ela abre um mundo de possibilidades, quando você não está certo de alguma coisa!

Acho que tem a ver com eu ter lido, esses dias, um pouco do Conde de Monte Cristo , e ver toda aquela figura do Dantes, meio marujo, meio homem do mar, e logo depois, meu pai ter me contado um pouco do seu dia-a-dia dentro de um navio bem grande, e suas viagens pelo mundo. Meu pai é um homem do mar. Lembro de uma vez, quando pequenininha ele chegar com uma barba bem grande, e de ele abrir a mala, tirando de dentro dela uma caixa de bombons para mim e para minha irmã. Minha mãe insistindo que ele fosse logo tomar banho e tirar aquela barba feia. Ele deixava, então, um bigode! - protesto!

O mar me perseguiu mais uma vez. Na mesma semana li uma parte do Evangelho que falava de Jesus acalmando uma tempestade, de dentro de um barquinho, onde os discipulos se encontravam bem temerosos. Chamavam por Ele, porque achavam que não podiam passar por ela sozinhos.

E aí, que choveu um bocado dia desses- em todos os sentidos, posso assim dizer-, e eu fiquei sentindo que Deus estava cuidando de mim e da minha familia. Não havia o que temer nem tremer.

E uma música de um querido amigo que sempre me tocava, passou a me tocar mais ainda:

"luar, claro lugar de cores raras
 de flores raras
 pra se deitar, se deleitar
 e esquecer outros lugares
 que há outros mares pra se navegar
 é Teu estar em mim
 que me faz assim

 como quem enfrentou temporais
 naufragou e bem longe do cais
 encontrou um porto seguro
 pra descansar em paz
 é Teu estar em mim
 que me faz assim."

Lembrei das águas de Nárnia, do cuidado de Deus, do meu pai e fui fisgada pelo mar, sem medo, só mar mesmo.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Foco, fotos e vida.

Tenho andado brincando com a minha câmera direto. Todos os dias, tento trabalhar com o foco. Eu sei que parece muito chato isso, mas é que trabalhar o foco tem se tornado quase que uma batalha pessoal! Como sempre exagerando, eu sei!

Dia desses vendo que quanto mais eu aperfeiçoava o foco, mais compreensível meu objeto ficava, eu pensei: será esse o caminho das pedras para outras coisas? rs! Um doce para a Fernandinha! Ela merece! Palmas, fogos e algodão doce.

Eu não sei...de vez em quando uma foto fica bonita mesmo com o foco errado. Eu fico um pouco irritada quando percebo, mas paciência, não é verdade? Não há como ser acertivo sempre nas coisas todas da vida.

O problema: eu estou um pouco obcecada com essa coisa de foco na fotografia, na vida, nas conversas, em tudo, absolutamente. Minha busca por objetividade, definitivamente está me deixando louca! Eu acabo percebendo todo o resto, muito e o tempo inteiro. Fico dissecando a composição, os fatos da vida, as palavras que as pessoas estão usando. Tenho deixado de aproveitar todo o bom momento das coisas, e isso me deixa tão cansada!

Mas o foco, ainda é importante, mesmo que ele me deixe cansada. Depois, todo o bom trabalho por encontrá-lo, vai deixar a coisa tão bonita...

Ainda estou me decidindo sobre o que escolher fazer da vida nesse pós-faculdade. Cansada.

sábado, 20 de outubro de 2012

Do quanto é mágico

Estar noiva!

Ah, estar noiva é um momento muito incrível na vida de alguém com 23 anos!( ai, a pouca idade, a pouca grana e o pouco tamanho, que me dão tantos medos, desafios e alegrias!).

Pode ter certeza, são altas aventuras. Eu já não penso mais em saltar de pára-quedas, porque toda a adrenalina que eu precisava, eu tenho vivenciado em módicas porções dia-a-dia.

Sinto friozinhos na barriga de forma constante(lá vem ele, lá vem ele! Chegooouuuuu!). Sim, acabei de sentir, rs! E você fica querendo que tudo dê romanticamente, perfeccionisticamente(essa palavra não existe), nervosamente, amorosamento, raivosamente....CERTO!

Contando nossa história para que se compreenda o que falo:

Era uma vez, uma faculdade de Letras e outra de Belas Artes. Ela estudava latim, ele não estudava Projetos de Produto ou Desenho Industrial. A primeira vez que eu ouvi "desenho industrial" juro que eu achei que era outra coisa, rs! Mas vamos lá, voltemos.....

Ela estava com 18 anos e ele 19. Ambos ostentavam seus arames nas mochilas por acharem que precisariam dele pra alguma coisa. Eles liam o mesmo livro na época. Eles usavam mochila para todos os cantos. Ele entendia a estória do coelhinho vomitado, que ela era obcecada naquela época (graças a sua amiga de sempre, que lhe apresentava coisas estranhas, como "um dia perfeito para peixe-banana". Só que isso é outra coisa.). Ela ouvia ele tirando seus aprendizados do coração.

Eles passaram a compartilhar com mais frequências, seus sonhos, seus problemas, seus medos bobos, suas falhas de caráter, e juntos se sentiam as pessoas menos merecedoras das coisas que recebiam de graça Daquele que dava a eles tudo o que precisavam pra continuarem vivendo. Eles consideravam um presente ainda existirem, mesmo sendo tão inconstantes! Eles eram muito bobos sozinhos, e mais ainda juntos. Eles não sabiam do futuro e não sabiam abraçar. Que dirá se consideravam merecedores de encontrar uma pessoa para passar o resto de suas vidas próximo a eles?

Foi aí, que eles olharam e entederam que havia um estória a ser contada. Eles gostavam muito de música. Ele fez um CD para ela. Ela fez um CD para ele. Eles foram assistir Mr. Bean e Homem Aranha. Eles já passavam horas e horas conversando, comentando sobre o dia. Como se não bastasse se verem sempre pela faculdade, agora eles também trocavam mensagens no celular com frequência, falavam ao telefone até tarde, e se importavam demasiadamente um com o outro todos os dias.

"Eu encontrei e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor"
É, assim começou o nosso amor e nossos sorrisos pelo caminho para casa! Eu que já falava sozinha pela rua, agora, falava sozinha mas com um sorrisão na cara. E não passou muito tempo eu falava com alguém do meu lado, e um sorriso maior ainda. Era o Lucas perto de mim, compartilhando um guarda-chuva num dia de chuva, e me ensinando que abraços são muito bons(mas só o abraço dele, porque ainda tenho dificuldade de abraçar as pessoas. Tá, ele é especial!) e aconchegantes num dia de frio.

Eu não me sentia mais sozinha, e eu tenho ele do meu lado há 5 anos e 7 meses! Decidimos nos casar, e sermos felizes até que a morte nos separe.

Por isso, ultimamente, eu tenho sentido mais medo de morrer do que eu costumava a ter antes. Mas, juntos, vamos aprendendo a colocar o maior dos amores que podemos sentir na presença Daquele que nos uniu. E no melhor dos graus, recebemos um amor aprimorado para amarmos um ao outro. Assim, o medo de morrer dimunui, e assim eu percebo o quanto esse menino me faz bem!

Eu sou feliz perto dele, e ele usa óculos que nem eu, e gosta de analisar muito as coisas, e faz dancinhas engraçadas. Ele me faz dar risadas e me faz muita cosquinha. Ele estala os meus dedos sem eu deixar, e eu quase morro muitas vezes com isso. Nós temos medo de atravessar a rua! Nós somos felizes com saber que além da nossa dimensão existe alguém olhando melhor a gente do que nós mesmos conseguimos enxergar as coisas. Nós queremos ir pra Nárnia, e nós curtimos um blues. Só que ele assobia e eu não!

Estou contando os dias, a cada dia que passa, porque estou ansiosa para não precisar dar "tchau" e esperar ele ligar quando chega em casa. Aliás, ultimamente, toda vez que eu digo "tchau" pra ele meu coração fica apertado, poque fico nervosa com os perigos da rua. E eu queria que ele ficasse numa caixinha protegido até o dia do nosso casamento. Se ele espirra, eu já me preocupo, rs! (Que dirá o dia que ele deslocou o ombro, e foi para o hospital?!).

Eu estou contando os dias também porque quero ficar perto dele todos os dias e sempre, num cantinho que seja nosso, e que só tenha a gente! Estou ansiosa pra chamar por "nossa vida juntos" tudo o que tenha a ver com a vida dele, e que tenha a ver com a minha também. Eu estou contando os dias para poder compartilhar com ele a vida de maneira integral, e sermos um.

Eu estou muito feliz. Choro com facilidade, quando penso no dia bonito da Fernanda e do Lucas.
Não que eu ache, ainda, que mereçamos tal presente de Deus. Mas porque desde o dia que eu conheci o Lucas, eu sou uma pessoa mais feliz, e eu vejo o cuidado de Deus pela minha vida. Eu choro, sim. Eu choro muito porque é bonito e simples, e como a gente gosta da simplicidade!!! Nosso amor não vem acompanhado de pirotecnias, nem de platéia. Não somos um padrão de namoradinhos apaixonados e perfeitinhos. Somos o tipo de casal que de vez em quando se entristece com palavras duras e atrasos, rs! Somos imperfeitos, mas o que alimenta a chama é que "o amor de Deus nos faz um com Ele." Nos amamos mais ainda. Nos amamos mais hoje do que ontem e menos do que amanhã.

Conhecer o Lucas e ser noiva dele, completa a minha alegria...e coisas lindas virão, porque nossa escolha tem sido viver "o futuro certo cheio de esperança e paz".

É isso. Estar noiva é mesmo mágico. E isso tem me mudado de forma profunda! Quero ser o melhor que eu puder para ele.

Friozinho na barriga outra vez!=D

É isso meu povo. Só compartilhando! E para aqueles que não encontraram a metade de sua laranja, não deixei nunca de acreditar que ela existe. Não deixei nunca de acreditar no amor! E para os que já encontraram, que continuem vivendo para aprimorar a união!


Um brinde ao amor que nos transforma!!! <3>


aiai....suspiros...aiai...o amor!


terça-feira, 9 de outubro de 2012

um futuro de formiga.

Por esses dias, minha tão esperada colação de grau, saiu! Sim, agora eu sou graduada em Direito. Bacharel pelo curso, advogada pela OAB, desempregada por pura falta de direção, e profissional liberal, por orgulho para não dizer desempregada, rs!

Não vou esconder que estar em casa, toda manhã, tarde e noite, é lá alguma coisa que causa muita alegria, porque, de fato, quando eu termino de almoçar, cansada de tantas aulas assistidas desde às 7h30, deito no sofá e tiro uma soneca sincera até às 15h. Acordo, e retorno aos estudos.

Engraçado como ficar sozinha durante todo um dia, faz a gente pensar absurdos - não acho tão absurdo, mas há quem ache. É a opinião da maioria, pelo menos. Passo a narrar o pensamento, a epifania, a circunstância, a conclusão (sei lá o que foi aquilo!):

Por esses dias, depois de almoçar um almoço que eu mesma preparei, comecei a observar formigas na pia. Curiosa, persegui o caminho que as formigas  na minha casa fazem até chegar a cozinha. Nossa, elas andam tão silenciosas, lentas, enfileiradinhas, unidas, solidárias e carregando pesos tão maiores do que eu achava que elas podiam carregar. Chega a ser bonito, juro!

Elas estavam carregando pedacinhos de pão da cozinha, percorriam um canto da parece da sala, e chegavam ao banheiro. Levei um tempo reparando, mas não me incomodei. Elas saíam por uma janela! "Triunfantes formiguinhas, parecem frágeis, mas são pequenas fortalezas!" . Depois de ser meio que arrebatada por aquele momento, sorri. O tempo que, de vez em quando passa muito lento por aqui, passou tão rápido naquela tarde!  Fui perceber que fiquei 2h aprendendo com as formigas, quando minha mãe chegou do trabalho às 17h! Se me perguntassem eu diria que foram apenas minutos! Não sei explicar o que aconteceu!

Depois das formigas, me senti meio indigna, meio frouxa, meio fraca. (As formigas mexeram comigo, de verdade! só não dá para ficar falando ou vocês vão me achar muito estranha!)
E, assim, fiquei até a hora de dormir, quando sonhei que me encolhiam, e de repente eu tinha que carregar livros muito maiores do que eu achava que poderia carregar! Eu carregava Vade Mecum, livro de Constitucional, livro de estórias, e um código verde de Tributário, e caminhava como se não houvesse algo tão pesado.

Como? Sei lá, são sonhos! Nos sonhos podemos tudo! Nos sonhos eu sou o Batman! Enfim...

Coincidências ou não, na manhã seguinte, eu percebi que tinha que dar mais de mim, me esforçar mais na vida, e ser uma pessoa melhor. Senti meu lugar de formiga no mundo. rs! Ironia!
 
Vai entender, né? Quem vai explicar? Quem sabe Freud? Quem sabe? Quem? rs!

Uma certeza eu tenho, os livros de direito não ensinam sobre formigas e tal.

sábado, 29 de setembro de 2012

O brinquedo mais importante do mundo.

Que não estava para atenções, eu já dizia isso de antemão. Tinha lá os meus negócios para cuidar, e assim o fiz. Nada de pensar em sustentar os grãos na geladeira nem armazenar nada para os outros dias, e depois e depois. Era vão.

O importante era me ocupar de prestar atenção em cada coisa importante, em cada íntimo movimento ordinário. Afinal, um conjunto deles dá uma alteração cósmica, e faz algo extraordinário acontecer, que quem sabe no Japão ou em qualquer outro lugar do planeta se entenda? Sei, que esta teoria fez com que eu me sentisse culpado, por vezes, com notícias de terremotos, maremotos e coisas tais.

Eu sempre me apegava a uma responsabilidade, que cismado, eu achava mesmo que poderia ser minha, nem que minimimamente. Comecei a prestar atenção em tudo. No jeito que o sol chegava e ía embora. Como eu escovava os dentes todos os dias, se havia uma certa diferença eu começar a correr a pista do lado esquerdo ou direito, em que horas eu colocava o lixo na lixeira, em com que frequencia era necessário limpar o meu nariz, quantas vezes eu precisava ir ao banheiro, e quantas pitadas de sal minha mãe punha na comida.

Meu irmão, de nove anos trouxe para mim, chorando, um boneco eletrônico, que ele havia deixado cair naquele dia. O engraçado, hoje, com esses bonecos é que caindo ou não, uma hora eles param de funcionar. E então, notei uma semelhança na atitude do pequeno. Ele, depositara o boneco em cima de uma mesa, e todos os dias, no mesmo horário, ía lá ver se o boneco voltava a dar o ar de sua presença.

Com dó, resolvi alentar o garoto- mais pelo apreço que ele demonstrava do que por algum interesse meu em bonecos. Nunca tive saúde para bonecos.-, alimentando meio que com alguma esperança que o boneco ressucitasse. Fui lá, abri o corpinho do brinquedo com uma chave de fenda, e tentei arrumar os fiozinhos. Eu achava que podia fazer alguma coisa em relação aquilo, mas a realidade é que eu não fazia a menor idéia do que estava fazendo.

Não chegou a dar certo. No princípio o boneco que falava algumas frases curtas, despertou, mas falando em ruídos. Grande era a frustração. Meu irmão chorava o dia inteiro, e fiquei pensando se ele não se recuperaria daquele trauma. Afinal, "continuaria seu bonequinho trocando as frases? Será que eu desarranjara o pequenino brinquedo?". Era insuportável ver meu pequeno irmãozinho comovido daquela forma. Por fim, pusemos o boneco num cantinho deitado com suas perninhas e bracinhos molengos.
 Ele estava cansado, era a realidade.

Naquela mesma semana chamei meu irmão para ver os noticiários. Vinha anunciando na Tv um grande feito que um homem bom realizara na cidade onde morávamos, e daí compartilhei minha teoria. Atei os pontos: "o boneco deixou de existir, um grande feito fora realizado na cidade. É claro que alguma atribuição se devia ao bonequinho quebrado, no fato de aquela coisa boa toda, anunciada, ter ocorrido. Com certeza. Foi isso o que aconteceu". Eu repetia: "Foi isso!". Meu irmão sorria, concordando.

E assim, meu irmão achou seu boneco o brinquedo mais importante do mundo, e deixou que ele descansasse em paz, molengo, lá no canto.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Borra

Já faz um tempo que eu quero escrever, mas seguro o impulso de não colocar qualquer coisa, ou de não deixar meu coração tão vulnerável espalhando pela rede sentimentos tão pessoais.

Mas estive pensando um bocado, e me veio a mente, que a minha dor pode ser a dor de quem esteja lendo, bem como a minha satisfação também possa ser a de quem esteja contente. Então, isso torna tudo muito relativo em relação aos sentimentos.

Agora e hoje, eu já não acho que devo deixar de dizer o que eu sinto por causa de mim mesma, mas do outro. Preservar quem está lendo de uma tristeza ou alegria!

Por mais louco que pareça, eu venho percebendo que, em geral, quem acaba vindo aqui nem sempre são os meus melhores amigos, porque normalmente eles sabem o que acontece no meu dia-a-dia. Quem vem aqui, despretenciosamente, nem sempre quer saber se eu estou pensando uma coisa legal, e quer participar comigo disso. E essas pessoas merecem ser preservadas(ou banidas do contentamento ou descontentamento). Enfim, deixemos para lá!

Muito tem me aborrecido algumas coisas. São genéricas, e por isso escolhi escrever. Parece que as pessoas tem uma grande dificuldade de viver suas próprias vidas, e isso eu acho que é a nossa geração Facebook, que está sempre com uma antena ligada, criando padrões de costumes, gostos, amizade, de saídas por aí, de namoro, casamento(!!!) e etc.

Por que será que todo mundo lá é tão inteligente, tão descolado, tão poético, tão políticos, tão fofinhos??? Aiai...chega a dar raiva, e não culpo uma amiga minha que uma vez me falou sobre a sensação de que algumas pessoas "forçam a barra" para ser uma coisa que elas não são, de gostar de coisas que elas não gostam, de fazer coisas que elas não apreciam, por simples necessidade de mostrar que elas estão dentro daquilo ali. Isso é triste, de verdade.

Eu gostaria de incentivar as pessoas a fazerem uma visita a si mesmas. Uma busca por descobrir quem são, o que gostam, o que não gostam. Gostaria de incentivar as pessoas a se libertarem da ditadura dos gostos, e assumirem que nem sempre ler é tão prazeiroso, ou que elas não assistiram o último filme que passou no Estação, ou que elas foram ver a Carminha e a Nina na Globo(uowwwww)! Que na maior parte das vezes é um porre ficar ouvindo sobre assuntos sérios o tempo inteiro, e que é muito legal falar bobagem, rir e não saber sobre algum assunto, porque podemos aprender!

Dia desses meu noivo (sim, agora noivos!) trouxe um livro sobre "como aprender a ler"(acho que é esse o nome dele em português, confirmo depois), e eu sei que pensei "qual seria a razão de ele estar lendo aquilo?", sendo ele alguém que lê tanto. Eu o ouvi fazendo a descrição, quando vieram todos esses pensamentos na minha cabeça, e tomei consciência do quanto eu precisava ler esse livro!

A gente precisa mesmo aprender as coisas do básico. Rever nossas motivações, rever nossos gostos, se desprender dos grupos. Dá uma sensação muito boa no coração de que nós podemos não estar com certas pessoas, porque elas causam em nós verdadeiro "peso nas costas" com seus julgamentos e condenações silenciosas, e de que somos pessoas inteiras quando deixamos de viver os fragmentos das vidas alheias! Eu proponho, isso: uma verdadeira descoberta sobre a plenitude. E se você se descobrir uma pessoa muito diferente de quem você se diz hoje, não faz mal. É assim mesmo.

Não tenhamos vergonha de assumir nossa verdadeira identidade, porque ela é essencial para vivermos de verdade, sabe? Venho caminhando muito feliz por isso. Eu não quero ser nada, nem transparecer mais nada. Não quero mostrar nada, nem convencer ninguém de nada. O espaço vale, única e exclusivamente, para eu dizer qualquer coisa sem comprometimento...mas se algumas pessoas que me visitam por aqui descobrirem que elas são livres dessas coisas que eu falei, não vou esconder que ficaria muito feliz pela contribuição, rs!

A BORRA- Manoel de Barros

"Prefiro as palavras obscuras que moram nos fundos de uma cozinha- tipo borra, latas, cisco Do que as palavras que moram nos sodalícios- tipo excelência, conspícuo, majestade.
Também os meus alter egos são todos borra, ciscos, pobre-diabos
Que poderiam morar nos fundos de uma cozinha - tipo Bola Sete, Mário Pega Sapo, Maria Pelego Preto etc. Todos bêbados ou bocós. (...)"

sexta-feira, 2 de março de 2012

cansada de novas versões

Eu nem bem terminei de baixar um programa de computador, e no dia seguinte, eu recebo uma sugestão de atualização para nova versão. Aliás, eu acho essa questão de sugestão interessantíssima. Quem sugere? Quem pediu sugestão? É a entidade internet alguém que sabe exatamente o que não estamos precisando para nos dizer que nossa vida pode se tornar mais extraordinária se começarmos a usar, comprar, participar de coisa e tal?

Tenho andado um pouco cansada das coisas novas. Não por resistência a aceitar o novo(apesar da alma empoeirada, rs!). Eu nem tenho essa opção: na minha profissão todo ano ano, ou pelo menos de 6 em 6 meses, preciso comprar um código novo, porque as leis mudaram. Bom, esse post pode parecer mimizante, mas vale o questionamento: por que coisas novas toda hora? Essa situação de novidade me soa mais a época da escola, com aquelas modinhas retardadas, as quais nunca me enquadrei.

Sério, eu não dei "feliz aniversário" para o RJ ontem, eu não curto memes, não gosto de UFC, não me importo com a Luíza que voltou do canadá, nem sinto afeto pelo Wando(no dia que ele faleceu, todos pareciam ser fãs dele há séculos). Ah, eu também não curto Exaltasamba(que do nada as pessoas passaram a idolatrar, e de repente ficar tristes com o término dele, que nunca termina), e sério, a onda cult do pessoal falando do Oscar no Twitter, como se fossem críticos do cinema alternativo, aclamando o Woody Allen, já deu, né? Ah, tem os crentes descolados que agora querem denunciar tudo de errado que há em sua própria religião para mostrar como são conscientes e pensantes. E como eu poderia esquecer das milhares de mensagens sobre preconceito e homofobia? As próprias pessoas tem transformado coisas importantes em sentimentos banais, e cristalizado indiferença.

Estou cansada dessa coisa rasa e superficial dos dias de hoje. A novidade não permite que as pessoas pensem no que elas estão se tornando, no que elas estão falando, no que elas estão fazendo. Eu não quero saber o que pessoa tal ou qual está fazendo, se ela vai tomar banho, ou se ela vai jantar. Sinceramente, o mundo não precisa saber. O mundo não está interessado. Aliás, as pessoas só falam o que vão fazer para mostrar um lado interessante de suas vidas desinteressantes, e pouco conversam entre si. Se você quer conversar sobre alguma coisa, de verdade, é provável que você sinta como as pessoas tem se tornado escorregadias com relação ao que é feio e triste no mundo.

Enfim, eu vou poupar o tempo de vocês com essas ladainhas, mas queria desabafar sobre a minha insatisfação com a tirania das novidades, que nunca são novas. Eu não sei porque eu ainda escrevo, sabe? Ainda não fechei uma idéia sobre essa coisa de ter blog, mas assim que eu tiver certeza, permaneço ou desligo essa coisa. Ultimamente aquela coisa de não dar a resposta certa na sala de aula, e deixar os outros falarem tem reverberado por aqui. Sim, o blog foi uma tentativa de levantar o braço na aula, e falar o que eu imaginava, mas não estou certa se é ou não a coisa mais sensata.

Enquanto não deleto....bjos.