sábado, 6 de dezembro de 2014

Síndrome do Coelho de Alice no País das Maravilhas


“É tarde! É tarde! É tarde até que arde! Ai, ai, meu Deus! Alô, adeus! É tarde, é tarde, é tarde!”.

Estou atrasada! Tomo café....."estou atrasada". 





Começo a trabalhar/estudar/escrever.."estou atrasada". Vou ao shopping comprar uma roupa para ser madrinha em um casamento,"estou atrasada". Começo assistir um filme "estou atrasada". Estou reunida com minha família, "estou atrasada!"  Estou dormindo..."estou atrasada".

Comecei a pensar se eu realmente estava atrasada para as minhas tarefas, (e isso representaria que eu utilizo muito mal o meu tempo) ou se tenho uma sensação de urgência patológica em relação as coisas (e por isso a sensação de atraso permanente). Ah, comecei a questionar também se as coisas não 8 ou 80, são pretas ou brancas. Se poderiam existir mais respostas, como por exemplo, o tempo ser relativo e estar passando mais depressa (não!), ou se eu dormi e fui de alguma forma contaminada pelo mesmo vírus que fisgou o coelhinho branco de Alice no país das maravilhas (a mais óbvia pra mim, claro!). 

Acho que temos a resposta, não é verdade? Sim, a última opção!!! Não falamos mais sobre isso (para não ter que dar o braço a torcer de que existe um problema no fundo disso tudo. Meus amigos com imaginação fértil entendem sobre o leve hábito de culpar até papai novel pelos mais simples problemas cotidianos. No meu caso....o problema moderno do "avanço" que nos redimensiona e nos compacta, está mais em Alice do que em nós mesmos, rs! Não é verdade... Apenas uma brincadeirinha!).

A realidade é muito dura. Eu gostaria de não me sentir comprimida por ela. Gostaria de ter mais espaço, e saborear meu almoço sem pensar que daqui a pouco tenho que sentar para escrever. Sem pensar que estou correndo uma maratona interminável, onde não avisto a linha de chegada, e que já não sinto tanto as dores da corrida, porque me condicionei a ela (mas que independente disso, uma hora o corpo falha, pois não podemos correr pra sempre, e descansar também faz parte).

Então, comecei a orar nesse sentido, porque meu perfeccionismo me dói; me atinge de maneira profunda. Sinto um medo tão grande de fracassar em algum aspecto, que às vezes não consigo fazer coisas simples, como conversar com pessoas (porque eu tenho medo de falar besteiras, de estar errada sobre alguma coisa - e, talvez, o blog seja um tipo de exercício para eu aprender a me expor de alguma forma (agora você entendeu?). 

Finalmente, aprendi algumas coisas e gostaria de compartilhar com você (porque talvez, ninguém tenha te falado, como ninguém nunca falou para mim. Vivo num mundo diferente de quem sou, mas aprendi que não preciso me conformar a ser o um produto do meio! No meu mundo - e por meio de muitas pessoas com quem eu convivo -, você precisa ser infalível, você precisa mostrar que sabe e conhece tudo. Você não tem fraquezas. Você não pode ser ridículo às vezes. No meu mundo você precisa passar credibilidade, ser forte e saber separar as coisas (como se o ser humano pudesse se fragmentar em caixinhas). No meu mundo você precisa falar de forma que passe segurança (ainda que minhas mãos estejam trêmulas) e você precisa também ser a pessoa que irá resolver os problemas, e você precisa ser um referencial para resolvê-los (mesmo quando você não sabe abrir o pote de alcaparras em casa). No meu mundo você precisa ter lido Hobbes, Locke, Spinoza, você precisa conhecer as telas de Rembrandt(ainda que eu tenh apreço especial por aquela do barco no mar revolto) , ouvir música clássica, você deve ter lido os clássicos gregos. Você precisa ser prolixo (mesmo que você tenha um apego pelo sucinto, pelo objetivo). Você precisa sempre ter alguma coisa para dizer, alguma coisa que você tenha achado "brilhante", "fantástico" (quando você gosta de guardar suas impressões apenas para você, especialmente aquilo que você encontrou como um grande tesouro, e realmente não existe palavras que o descrevam, pois "fantástico" é muito pouco).Você precisa conhecer os doutrinadores mais ortodoxos (mesmo que o mundo tenha mudado e se flexibilizado bastante, e você não entenda o que diz o Caio Mario). Você precisa ser o "entendido" de todos os assuntos. Você precisa falar em inglês, francês e espanhol (ainda que eu não saiba dizer dos meus abismos nem em português!).

Ah, esqueci de contar o que aprendi. Vamos lá. Sobre a ótica de um Deus de amor, eu aprendi que posso ser quem eu quero/ ou quiser, pois nEle sempre vai existir alguém que me ama como eu sou (uma pessoa que "pensa por imagens", que ama poesia, mais do que prosa; que lida com as pessoas pelo que elas são, e não se importa de verdade com o que elas tem (mas que se irrita com o que elas fingem ser), que tem um apreço por passarinhos, que sente um grande apego pelos instantes (por isso ama Cecília), que se absurda com o cotidiano, que chora do nada porque achou a cor daquele dia muito bonita e especial, que não liga pra roupas bonitas (e não sabe o que é bonito, quando se fala de estética), que não pinta as unhas (porque gosta de unhas na cor de unhas).

Perdi o fio outra vez...verdade...aprendi sobre um Deus de amor, como eu falava antes. Aprendi a viver sob a ótica dele, para olhar as pessoas, para entender o direito, para cuidar do que tenho recebido dEle.
Eu tenho amado mais os momentos, e tenho tentado me desprender de toda essa "perfeição" subjetiva, que mais está nas expectativas e especulações do que propriamente naquilo que me constitui, e que me pertence.

Tenho aprendido a ser grata, e a me sentir contente, porque eu também andava me sentindo culpada, toda vez. Sempre muito culpada por não estar fazendo o que eu "deveria estar fazendo". E assim, voltamos à perfeição subjetiva. Tenho aprendido a dar valor aos dias como uma benção recebida, porque amanhã podemos não estar mais aqui(já imaginou? O último dia aqui na Terra, sendo um dia de murmurações pelos afazeres desesperados?). Tenho dado graças logo quando acordo (como tenho aprendido com um amigo e pastor), acordar e dar graças antes mesmo de levantarmos faz com que sintamos a presença de Deus. Isso tem resignificado minhas semanas.

Ainda sinto tudo o que eu sentia. É uma luta diária, pois têm dias que me esqueço dessas coisas, e minhas batalhas me vencem. MAS! Tenho aprendido que quanto mais me aproximo de Deus, mais me sinto afastada com relação ao que os meus medos representam. É como pensar no Universo, e se sentir uma poeira cósmica. É como pairar diante de tudo isso e se perguntar em escala correta, qual o tamanho dos meus problemas diante de todas essas coisas. Pensar assim me faz ter a esperança que tudo o que pensamos ser definitivo, não é  assim, finalizado com um ponto final. Que existe jeito para as coisas. Que se as coisas não tem remédio, remediadas estão! E que a gente pode se reconstruir e se reinventar, porque Deus é um exímio construtor de vidas, e Ele pode nos ajudar sempre.

Finalmente, eu queria dizer que esse último mês do ano, está sendo muito duro para mim. Sim, tenho um desafio grande à frente. Mas queria compartilhar que não importa quão duras as coisas sejam, Deus está perto!Queria dizer também que tenho recebidos provas diárias do amor de Deus por mim, e pensar nEle tem aliviado o fardo. 

Por isso, deixo as palavras que tem aquecido meu coração e um carinho a você que está lendo. Palavras que eu tenho conhecido o sentido, apenas agora, apesar de tê-las ouvido algumas vezes.

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve."
Mateus 11:28-30

"Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento.
Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.
Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão;
Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão."
Isaías 40:28-31



sábado, 8 de novembro de 2014

dias de difícil verbalização.

Fim de ano. É sobre isso que sinto vontade de falar, muito embora eu não saiba por onde começar. Geralmente os momentos turbulentos são assim, não é? Tiram nossa capacidade até mesmo de torná-los um pouco menos indizíveis. Tenho uma raiva particular aos momentos que eu teria muito a dizer, mas não consigo por pura dificuldade de costurar meus pensamentos, que são muitos e vem todos ao mesmo tempo numa carga tão explosiva que a compreensão do que está ocorrendo é quase impossível. Pedaços em forma de descontinuidades; um mosaico multicor de tristezas e alegrias, que não tenho como certo, onde/como começam nem onde/como terminam.

Há quem diga que é uma fase e que irá passar. Sei que desejo viver todos os dias de novembro, todos os dias de dezembro e todos os dias de janeiro. Aí sim, se não houver remédio, remediado está. nova fase, seguir em frente rumo ao novo(ou ao velho, conforme as opções e oportunidades se apresentarem num 2015, que eu sinceramente desejo que venha acompanhado de muita paz).

É estranho pensar, que tudo que acompanha nossa morte dia-a-dia, signifique também nossa vida (vice-versa). Penso estar vivendo de maneira realmente intensa cada dia da minha semana. Mas ao mesmo tempo, sinto que estou desperdiçando minhas energias, e quando olho já é dezembro, o que significa que mais um ano da minha vida se passou. Bom, é o curso normal das coisas, verdade.

Mas em 2015, sinto que essa vida só será bem vivida, assim que eu acertar o ponteiro; a direção. Viver todos os dias com Deus. Sinto e confesso, preocupadamente, que este ano não dei tudo o que eu podia de mim para Ele, e talvez seja essa a razão de sentir que não há eternidade naquilo que tem passado nos dias de 2014, exceto pelos momentos de felicidade clandestina que me transcendem e escapam às minhas urgências, me fazendo retornar ao ponto onde deixei de me importar com Deus. 

Acho que em síntese, esses foram os momentos mais felizes do meu ano; aqueles que Deus sorriu para mim, me lembrando que Seu amor não tem a lógica, a temporalidade nem a racionalidade desse mundo. Os momentos desse ano que eu pude ver isso - por iniciativa Dele, que é rico em amar e perdoar - senti a alegria, um temor real e uma tristeza de pensar em desperdício. Os momentos em que o busquei, vergonhosamente, confesso outra vez, foram formas interessadas de adquirir coisas, vencer situações que, sinceramente, não sei se eram as vitórias que Ele gostaria que eu quisesse. Mesmo assim, em todos os dias de 2014, Deus esteve comigo, e a única coisa que eu posso afirmar com toda sinceridade (e constrangimento) é que eu me sinto muito grata pelo amor e amparo desse Deus maravilhoso, e que não quero gastar meus dias com aquilo que não seja importante para Ele.

Será que eu consigo?


domingo, 27 de abril de 2014

Fazendo as pazes com o tempo.

Passou sem que eu reparasse, sim.

Escrevo coisas em papéis de extrato de banco, mas não consigo preencher as folhas do meu caderninho, que anda abandonado em algum canto escuro de alguma bolsa que não uso mais. Mas, um desafio....arrumar as idéias. "Não ser uma samambaia", como diria minha irmã mais velha.

E tudo isso se resume em uma questão muito simples; uma questão que eu deixei de reparar; uma questão que mudou uma parte de mim; uma questão que passou despercebida,  e que não levamos a sério; que costuma ser bem pouco valorizada; que escorrega pelas nossas mãos; uma questão: um tempo acelerado e esmagador.

Há algumas semanas eu me queixava de uma dor no peito, e dificuldades de respirar. Cheguei ao médico certa vez com a impressão de que eu estava morrendo. Fiquei muito impressionada com aquilo, afinal, minha família com histórico cardíaco; pensei na minha avó e no meu avó...comecei a sentir muito medo, chorei antecipando resultados. E depois de uns exames (que enquanto não saiam, me enchiam de um pavor paralisante), o médico me disse que eu tinha sintomas de uma doença do nosso tempo, chamada ansiedade

Eu deveria ter mesmo desconfiado. Uma moça de 25 anos, que mal consegue se ver ainda como uma mulher, enfartando? Alívio é a palavra que define. E pude me sentir uma tola, mas com toda a alegria que esse coração saudável poderia sentir.

Mas, por semanas eu deixei de perceber e de juntar pedaços de uma questão evidente. E, por isso, durante essas semanas continuei sentindo o aperto no peito, a vontade de chorar, como se eu estivesse sendo realmente acometida de algum mal. Senti uma solidão profunda no mundo. Senti como se eu tivesse sido jogada no mundo, e como se eu tivesse que lutar todos os dias contra a contingência. Senti como se eu estivesse desvinculada de tudo e todos.

Então, me reparei. Claro que não sozinha, mas pelos olhos ternos dos que andam comigo (feliz ventura a de ter uma familia e amigos que se importam). Sem tempo para escrever ou mesmo apreciar com um pouco mais de calma uma música ao invés de ruídos; para estudar o que eu amo; desiludida com a política, com as pessoas, com a justiça; desmotivada com a igreja que existe (e não como ideal em que devemos permanecer); aborrecida com minhas escolhas; sem nenhuma razão para fazer o eu gostava, antes; reparei. 

"O tempo não volta", hoje mesmo um amigo me lembrou disso. Algo que eu já vinha percebendo; que já vinha me encarando. O tempo em sua aceleração, joga na nossa cara que o amanhã não volta, e estamos sempre correndo atrás dele, ao invés de darmos as mãos pra ele e caminharmos juntos em sintonia, com o necessário para se viver aquele dia. O tempo nos esmaga se deixamos. O tempo vai passando reunindo forças cada dia maiores, que nos levam. É certo que cada dia morremos e nos despedimos de tudo, de cada coisa, de cada pessoa. E isso pode ser triste e desesperador. Acho que isso vinha me entristecendo de uma maneira meio perturbadora.

Mas, pensei e pensei...chegando a conclusão de que existe alguém que domina o tempo, que diz que podemos remí-lo. Que nos coloca sob uma perspectiva muito melhor sobre a vida e a morte; que  nos enche de razão para viver, que nos ensina a perdoar, que deixa que a gente até chegue a se desiludir (porque quer que sejamos lúcidos!), que nos dá novos motivos quando perdemos aqueles que faziam a gente lutar antes, que nos enche de contentamento por vermos um passarinho (que existe profundamente dentro de um canto inocente) ao invés de vermos dinheiro numa conta bancária (afinal, dinheiro é um sistema criado pelo homem. Só faz falta porque insistimos nele).  Pensei em Deus, e busquei comunhão com Ele.

Eu não quero mais brigar com o tempo. Não quero sentir mais a raiva que eu vinha tendo dele (por me fazer apressada). Vou andar com ele, no compasso leve de quem teve um fardo tirado das costas e agora pode caminhar melhor. Os fardos dificultam nossa caminhada, e o tempo não pode parar, o que faz com que nem sempre a culpa seja dele. Resolvi que vou andar com ele, vivendo a jornada da maneira mais bonita que eu puder. Agora, com menos ilusões eu também consigo ver melhor o caminho. 

Fiz as pazes com o tempo, e vamos ver no que vai dar. No coração, uma alegria pela proximidade de um Deus que me ensinou o amor simbolizado na sua ressurreição, que lança fora meus medos. Uma paz que me transborda e me excede. Uma confiança de que dias melhores estão por vir, apesar das dificuldades. Um carinho maior pelos meus. A vocação de sede pela justiça. E uma prioridade: amar a Deus sobre todas as coisas e ao meu próximo como a mim mesma.

Minha alegria é viver pelos olhos do Deus de amor.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Desafios

Esse é o tempo de um dos maiores desafios da minha vida....afinal, estar casada com 24 anos, não é só vestir uma roupa bonita num dia ensolarado num sítio, com mobiles mágicos de origamis. Estar casada com 24 significa lutar pra construir junto com ele todo o resto da minha vida. É lutar pra fazer dos dias cinzentos contraste bonito com as "cores alegres e vivas". Sinto a alegria de passar os dias mais doces da minha juventude; mas ao mesmo tempo sinto o medo pelo futuro desconhecido pra gente; dos problemas de sermos um casal muito jovem sem experiência de vida para encarar as adversidades.

Então, ouvi numa música, " quando eu já sei o que eu não sei, Te escutar", e lembrei o que é o "Amor que lança fora todo o medo".  Sim, temos medo! Somos gente de carne, osso, e pensamentos contraditórios, sentimentos confusos...mas nessa condição, quando percebemos a presença, a companhia e o carinho de Deus, vemos de forma muito profunda que não estamos sozinhos, que ainda que venham dias nublados, teremos a capacidade de esperar, de apreciar a experiência, e até mesmo valorizar esses dias..afinal, "se não há sol, se estou só, Te enxergar"...

Rumo aos melhores dias de nossas vidas! Rumo aos dias sem medo.


Inocente

"Numa fração, numa estação, te esperar
Quando não tem, não há ninguém, confiar
Toda aquela nuvem, sombra só pra eu duvidar
Mesmo que eu me esconda ainda assim vou te encontrar
Se não há sol, se estou só, te enxergar
Quando eu já sei o que eu não sei, te escutar
Toda aquela onda, gente sem saber parar
Seja eu inocente pra não decidir pecar"

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qDmr1vzQi4o

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

pessoas reais

Nesses últimos meses, eu e o Lucas temos experimentado o significado do amor radical. Queria compartilhar, porque afinal, muita gente pensa que a batalha vem sem nenhuma luta, ou que somos pessoas sem problemas e que, por isso, vivemos sorrindo, como se nada nos afligisse. 

Mas o compromisso é com a verdade, e não com a alegria que um Facebook pode transmitir. E amigos, se querem saber o que acontece mesmo, podem ter certeza que "o choro é melhor que do que o riso insano, pois se faz melhor ao coração", como diz a música do meu amigo Diego.  E desse lado, a gente chora muito. Somos pessoas reais.

Parece que quanto mais a gente repara sobre o que somos; quanto mais a gente entende que a maior parte dos nossos pensamentos são cheios de uma arrogância e têm um egoísmo- velado na maior parte dos cristãos...e isso é até pior, porque nos torna hipócritas sem que nem percebamos- a gente compreende que somos todos farinha do mesmo saco, e que carecemos em muito da misericórdia do nosso Senhor Jesus. 

Eu via, criticamente, todos os dias pessoas fazendo mal pras outras. Eu torcia o nariz pra algumas atitudes. Um dia desses me senti até melhor do que um pessoal porque, afinal, "eu não sou assim de fazer mal para os outros", e reparei que esse sentimento revelava dentro de mim um lado feio de espantar. "Meus julgamentos não seriam, afinal, tão nocivos, tão maus e tão arrogantes quanto as atitudes das pessoas que eu observava?", pensei.

A parte boa foi que ao tirar de mim o peso das estrelinhas de boa conduta, e me ver como todo mundo, eu comecei a entender algumas verdades que não faziam muito sentido pra mim. Na verdade, só faziam sentido quando eu usava pra pensar em alguém, mas que eu achava que não se aplicava a mim...."pobre de mim!"

Mas eu entendi o que Paulo diz sobre "o poder de Deus se aperfeiçoar na fraqueza". E se há alguma coisa boa nisso tudo é somente o fato que por causa disso eu posso sempre estar perto de Deus, deixando Ele me ensinar a fazer as coisas de um jeito mais sincero, mais honesto e transparente. E eu posso olhar para o meu semelhante (e essa palavra faz cada dia mais sentido!) com mais amor e mais carinho.

Lembrei da história daquela mulher que derrama perfume nos pés de Jesus, beijando-os e lavando-os com suas próprias lágrimas. (Lucas 7:36-50) . Essa passagem me comove muito. Sabe quando a gente tem um problema muito grande pra resolver e aí a gente encontra uma solução? Acho que quando essa mulher conheceu Jesus, ela teve essa sensação de que solução para TUDO na sua vida estava ali bem na frente dela, e por essa razão não viu quem estava ao seu redor, nem mediu se sua atitude era "socialmente aceita", "socialmente correta"; não observou os bons costumes. 

E Jesus? Deixou ela ir até ele. Sem melindrar posturas; sem constrangê-la; sem afastá-la; sem dizer que ele era "o filho de Deus" pra tirar vantagem ou pra humilhá-la. Quantos de nós, em algum cargo ou em alguma posição de destaque, não deixamos a desejar? Quantos de nós, não olhamos pra alguns sucessos em nossas vidas, e buscamos superioridades em relação a outras pessoas?

Eu tenho algumas lembranças que cortam meu coração. É difícil a gente se perdoar, inclusive. É difícil entender como Deus nos perdoa e continua abençoando nossas vidas?! E é notando nossa total incapacidade é que a gente entende o sentido do perdão, o que a mulher do perfume sentiu e o significado do "favor imerecido" que Deus nos presta sempre que vem um novo dia.

Bom, então, ouvi os versos da música abaixo e quis compartilhar.

"Teus olhos revelam que eu
Nada posso esconder
E que não sou nada sem Ti
Oh fiel, Senhor
Tudo sabes de mim,
Quando sondas o meu coração
E tudo podes ver, bem dentro de mim
Leva minha vida a uma só verdade
Que quando me sondas nada posso ocultar
Sei, que Tua fidelidade
Que leva minha vida mais além
Do que eu posso imaginar

Sei que não posso negar
Que os Teus olhos sobre mim
Me encha da sua paz"

É isso, amigos.......eu queria compartilhar que temos buscado conhecer melhor a graça e o perdão desse Deus incrível que conhece a fundo nosso coração; que sabe quem somos de verdade- ainda que a gente, às vezes, finja ser outra pessoa- e nos aceita, ama e transforma nosso coração.

Esse é o único encantamento da minha vida. Todo o restante das coisas parecem muito velhas ou repetição de ciclos. Ultimamente é que eu tenho entendido o que significam boas-novas, num "mais do mesmo", mundo totalmente igual. E isso "me quieta, me suspende"; me deixa feliz como uma só verdade poderia. 

ps. nosso casamento está chegando. Faltam apenas 2 meses. Temos vivido alguns milagres; temos pedido que Deus aperfeiçoe o nosso amor. Temos aprendido coisas novas.

ps2. queria registrar aqui que esses ensinamentos não vem das nossas próprias pesquisas, rs! Reina e Patricia, vocês fazem parte dessas descobertas! Vocês tem abençoado muito nossas vidas, queridos. Obrigada por nos contagiarem com essa busca pelo que é mais importante e louco!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

manifestação

Entrei no elevador, e moça começou a se queixar naquele dia. Os meninos andam confeccionando bandeira de revolução, de paz no pátio ali da frente; todos colocaram camisa branca para logo à noite irem para rua. "Agora a rua é do povo", andam dizendo!
Aquela moça, que todos os dias limpava os banheiros sujos daquele lugar, disse de forma legítima: "se a rua é da gente, porque não olham gentis pra gente quando andamos pela zona sul? por que não dão bom dia quando entram no banheiro? Por que não agradecem quando saem do elevador?".
Sobre isso eu não pude dizer nada a respeito das manifestações, mas que foi uma reflexão que eu não havia me deparado com meus professores cientistas políticos, foi.
A impressão que eu tive daquele dia é que a rua foi do povo naquele dia, sim. Por isso, a razão da euforia de tantas gentes. Que aquela moça exagerou a minha visão da realidade...ah, ela aumentou os rebuliços de dentro desse coração!
Vivo na zona norte. A rua é minha também. Mas que eu não me sinto nem parte nem dona, quando chego num certo pedaço do Rio de Janeiro, isso é latente. Dia desses Lucas e eu fomos num lugar, e um colega nos perguntou, porque saímos de tão longe para estarmos ali. Dissemos, "não achamos tão distante, na verdade..e sentimos vontade de estar/permanecer aqui". Ele: "é que o pessoal daqui não está habituado a fazer o sentido inverso. Por isso acho distante". E se havia alguma dúvida de que a rua não é de todo mundo....foi naquele dia e no dia da moça que limpa o banheiro. Será mesmo que as pessoas querem que a rua seja de todo mundo?
Vejo com olhos otimistas essas manifestações, mas que está para surgir novas formas de empoderamento; novos sentimentos por parte daqueles que estão ali  por razões levianas (mas não cabe a mim dizer o que seriam as causas levianas), novos engodos midiáticos pra cima do pobre (que sempre saem- violentos- na pior)...isso a gente pode esperar, porque é tão certo quando o céu que vai estar sobre nossas cabeças amanhã.
De toda forma...ouvir essa moça só me fez pensar em uma coisa: a mudança precisa começar partindo da gente. Nossa atitude em relação ao outro precisa mudar. A gente precisa aprender a olhar o mundo.

Não, colegas, eu não acredito que vocês terem passado um semana de tardes pensando em mudar o mundo, vá realmente mudá-lo. Eu acredito que mudar o mundo é uma coisa que a gente faz todos os dias. Parando de falar mal dos outros, parando de excluir as pessoas, parando de se preocupar se sua nota no artigo de final de período vai ser maior ou menor do que as notas dos outros...etc

Eu não acredito que a mudança possa acontecer, sem uma mudança do pequeno, no "ínfimo". É basicamente isso. Mas tem muita coisa pra ser dita e pensada. Não se esgota o assunto na simplicidade desse tom.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Para Luiza. Sobre sua primeira gargalhada.

Hoje minha amiga Leandra    [amiga de infância, de play, de pique, de cabelos bagunçados, de chiquititas, de franjinha e short-saia, de canela machucada, de andar de patins, de filmes de terror, de adolescência, de aprender a usar maquiagem (ela...eu não!), de segredos, de confidência, de brigar comigo pra eu me arrumar melhor, de brigar comigo porque desde muito tempo eu sou chata, de eu brigar com ela porque ela é uma nega muito da atrevida (haha!), de insistir que all star não é o único calçado da terra, de sonhos compartilhados, de pesadelos compartilhados, de calça rosa e amarela dela e meus macacões, de fazer música sobre pinguins, de viagens de férias, de pagar gorilas, de dormir muito tarde fazendo fofoca, de dar risadas até mandarem a gente ir dormir, de fase adolescente, de fase adulta, de beijoca na barriguinha de grávida(dela),  de ajuda com coisas de casamento(meu), de orações em dia de prova de vestibular, pra arranjar namorado, pra ter um marido legal, por trabalho, parto, familia..tudooooo!],


brindou meu dia com uma notícia incrível! Luiza, nossa pequena princesinha, que segunda completa 3 meses, deu sua primeira gargalhada.

Não podia deixar de registrar essa alegria em algum espaço. É engraçado que essas coisas passem de nós. Já fomos bebês um dia. Todos nós! Já demos nossa primeira gargalhada alguma vez. A da Luiza vai ficar guardada com a gente no coração pra um dia ela se lembrar também. Um dia a Luiza vai ser grande e vai saber que a gargalhada dela foi a coisa mais extraordinária do dia da titia, porque essas coisas são sim milagres diários.

Um brinde às primeiras gargalhadas! Um brinde à Luiza e seus futuros dentes!